Crítica de Filme – Meu País (2011)

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nota08

direção: André Ristum
elenco: Cauã Reymond, Rodrigo Santoro, Debora Falabela, Anita Caprioli
país: Brasil
gênero: drama
ano: 2011

Quase despercebido pelo público, Meu País colecionou prêmios em festivais pelo Brasil afora, aliando uma história simples e emocionante com toques de drama familiar.
O filme conta a história de uma família composta por dois irmãos, Marcos (Rodrigo Santoro) e Tiago (Cauã Reymond), que acabam de perder o pai e precisam enfrentar alguns problemas a partir disso.
Há uma comparação óbvia que frequentemente é feita nas críticas de “Meu País” e eu certamente não posso fugir dela. Fala-se muito da nova safra de filmes argentinos, dramas que se assentam em questões do cotidiano, principalmente problemas familiares que levam o protagonista a uma mudança de vida. É assim em “O Filho da Noiva” ou “Conto Chinês”, e o filme brasileiro segue por uma linha parecida. Temos Marcos, o típico filho independente que sai de casa cedo para fazer sua vida só, e Tiago, que vive nas barras do pai. Nada espetacular acontece – afinal, um pai de certa idade morrer é bastante comum – e esses irmãos precisam vencer as diferenças e batalhar juntos para resolver os problemas que aparecem.
O diretor André Ristum faz uma aposta arriscada na condução da história. Abandona qualquer clichê que poderia usar, como explorar a beleza dos protagonistas ou filmar cenas melodramáticas ao extremo, e foca sua câmera no detalhe. Filma mãos, personagens com o olhar perdido, a estrada e outras situações aparentemente sem nexo. Assim, ele assume o lado positivo de sua escolha, pois imprime uma marca interessante ao longa, além de nos forçar a adentrar o mundo que ele criou: desapego, nostalgia, incômodo são sentimentos normalmente associados ao filme. Mas ele também precisa aceitar o lado negativo disso tudo, pois em alguns momentos essas cenas simplesmente não funcionam, falta o encaixe de uma peça que faltou.
A granulação da tela já dá o tom nostálgico, como naquelas fotos antigas que costumávamos rever de tempos em tempos. Assim, os personagens flutuam por um ambiente sempre preso ao passado, mesmo que precisem resolver questões sobre o futuro. Ainda assim, falta mais peso à história. Parece-me que o excesso de cenas internas, em estúdio, atrapalha, faltando mais conexão com a cidade, com o mundo e os cenários urbanos que cercam aquele drama. Já no elenco, não há sobressaltos: Cauã Reymond não atrapalha e Rodrigo Santoro é excelente, compondo um Marcos com extrema segurança.
[SPOILER] Não comentei a ótima participação de Debora Falabela, como a irmã dos rapazes, Manuela, pois pode ser considerado um spoiler. Além disso, é o conflito principal do filme e o condutor que vai unir os personagens no fim. Achei por bem deixa essa parte separadamente. [SPOILER]

Quase despercebido pelo público, Meu País colecionou prêmios em festivais pelo Brasil afora, aliando uma história simples e emocionante com toques de drama familiar.

O filme conta a história de uma família composta por dois irmãos, Marcos (Rodrigo Santoro) e Tiago (Cauã Reymond), que acabam de perder o pai e precisam enfrentar alguns problemas a partir disso.

Há uma comparação óbvia que frequentemente é feita nas críticas de “Meu País” e eu certamente não posso fugir dela. Fala-se muito da nova safra de filmes argentinos, dramas que se assentam em questões do cotidiano, principalmente problemas familiares que levam o protagonista a uma mudança de vida. É assim em “O Filho da Noiva” ou “Conto Chinês”, e o filme brasileiro segue por uma linha parecida. Temos Marcos, o típico filho independente que sai de casa cedo para fazer sua vida só, e Tiago, que vive nas barras do pai. Nada espetacular acontece – afinal, um pai de certa idade morrer é bastante comum – e esses irmãos precisam vencer as diferenças e batalhar juntos para resolver os problemas que aparecem.

O diretor André Ristum faz uma aposta arriscada na condução da história. Abandona qualquer clichê que poderia usar, como explorar a beleza dos protagonistas ou filmar cenas melodramáticas ao extremo, e foca sua câmera no detalhe. Filma mãos, personagens com o olhar perdido, a estrada e outras situações aparentemente sem nexo. Assim, ele assume o lado positivo de sua escolha, pois imprime uma marca interessante ao longa, além de nos forçar a adentrar o mundo que ele criou: desapego, nostalgia, incômodo são sentimentos normalmente associados ao filme. Mas ele também precisa aceitar o lado negativo disso tudo, pois em alguns momentos essas cenas simplesmente não funcionam, falta o encaixe de uma peça que faltou.

A granulação da tela já dá o tom nostálgico, como naquelas fotos antigas que costumávamos rever de tempos em tempos. Assim, os personagens flutuam por um ambiente sempre preso ao passado, mesmo que precisem resolver questões sobre o futuro. Ainda assim, falta mais peso à história. Parece-me que o excesso de cenas internas, em estúdio, atrapalha, faltando mais conexão com a cidade, com o mundo e os cenários urbanos que cercam aquele drama. Já no elenco, não há sobressaltos: Cauã Reymond não atrapalha e Rodrigo Santoro é excelente, compondo um Marcos com extrema segurança.

[SPOILER] Não comentei a ótima participação de Debora Falabela, como a irmã dos rapazes, Manuela, pois pode ser considerado um spoiler. Além disso, é o conflito principal do filme e o condutor que vai unir os personagens no fim. Achei por bem deixa essa parte separadamente. [SPOILER]

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.