É preciso relativizar a importância de Steve Jobs para a música

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A morte de Steve Jobs, sentida nos quatro cantos da internet, trouxe consigo a ideia definitiva de que ele foi um revolucionário e o gênio máximo dos nossos tempos. Com seus computadores com processadores fortes, sistema operacional imbatível e design de luxo, Jobs criou um mito, uma lenda por trás de si próprio e de seus produtos. Virou também ícone daqueles contrários a Bill Gates, esse tido como o diabo que cria softwares e sistemas ruins, mas que o mundo inteiro utiliza e pirateia sem remorso.
Minha intenção aqui não depreciar Jobs, afinal, não sou burro a ponto de ignorar sua importância para o mundo dos computadores e da tecnologia em geral. Pretendo, no entanto, questionar seu valor para a indústria da música e o modo como as pessoas consomem música hoje. Nesse quesito, o cara tem muita importância, mas devemos relativizá-la em alguns aspectos.
Primeiro, os “i” da vida são caros e inacessíveis. Ao contrário, por exemplo, de um PC ou notebook tradicional, os computadores pessoais, iPods e notes da Apple têm esse design lindo, funcionalidade de primeira (assim dizem os adeptos) e uma enxurrada de pontos positivos. Mas tudo isso só pode ser acessível pelas vitrines das lojas, pois a maioria das pessoas não pode comprar. Mas quer, deseja, anseia (tá aí um dos grandes méritos do cara). Um iPod é caríssimo se comparado a outros mp3 players do mercado e o que, A RIGOR, de diferente é oferecido? Navegabilidade? Qualidade sonora? Tudo isso é relativo, pois vivo muito bem sem um iPod, assim como tantas outras pessoas.
Segundo e mais importante: Jobs não criou a música portátil nem muito menos o mp3 player. Como alguns mais velhos lembram, a Sony inventou o Walkman em 1979 (há controvérsias, leia aqui a respeito), essa sim uma mega revolução na música. Naquele momento não existia possibilidade de uma pessoa ouvir música enquanto andava, por exemplo. Anos depois, veio o discman, e então era possível ter música portátil de melhor qualidade.
Pelo que consta – alguém me corrija, por favor – o mp3 foi inventado por alemães ainda no final dos anos 80, tecnologia que foi posteriormente aperfeiçoada. Somente em 1995 o formato ganhou esse nome e passou a correr o mundo. Aqui novamente entra a Sony, que meteu seus japoneses nerds no processo e criou, em 1997, um padrão de arquivo ainda melhor. No ano seguinte, os primeiros players de mp3 surgem, portáteis e com memória flash. Na história do mp3 eu nem citei ainda o Napster e sua tecnologia revolucionária de troca de arquivos ponto a ponto. A Apple só entrou no bonde em 2001, quando a empresa jogou no mercado o caríssimo player com 5G de capacidade – quando o mundo inteiro já consumia música portátil e já usufruía das maravilhas do mp3.
O que quero dizer – novamente é preciso fazer uma ressalva para que os applefreaks não me ameacem de morte – é que Steve Jobs tem muita importância para a indústria da música, da distribuição ao consumo, mas não podemos de analisar isso à luz dos fatos. As pessoas normalmente colocam em Jobs um carimbo de revolucionário em tudo que ele faz – e vemos que isso não é verdade. O cara teve o grande mérito de pegar o bonde andando e aperfeiçoá-lo, tornar o mp3 player algo comum, embora venda seus produtos a preços exorbitantes.

A morte de Steve Jobs, sentida nos quatro cantos da internet, trouxe consigo a ideia definitiva de que ele foi um revolucionário e o gênio máximo dos nossos tempos. Com seus computadores com processadores fortes, sistema operacional imbatível e design de luxo, Jobs criou um mito, uma lenda por trás de si próprio e de seus produtos. Virou também ícone daqueles contrários a Bill Gates, esse tido como o diabo que cria softwares e sistemas ruins, mas que o mundo inteiro utiliza e pirateia sem remorso.

Minha intenção aqui não depreciar Jobs, afinal, não sou burro a ponto de ignorar sua importância para o mundo dos computadores e da tecnologia em geral. Pretendo, no entanto, questionar seu valor para a indústria da música e o modo como as pessoas consomem música hoje. Nesse quesito, o cara tem muita importância, mas devemos relativizá-la em alguns aspectos.

Primeiro, os “i” da vida são caros e inacessíveis. Ao contrário, por exemplo, de um PC ou notebook tradicional, os computadores pessoais, iPods e notes da Apple têm esse design lindo, funcionalidade de primeira (assim dizem os adeptos) e uma enxurrada de pontos positivos. Mas tudo isso só pode ser acessível pelas vitrines das lojas, pois a maioria das pessoas não pode comprar. Mas quer, deseja, anseia (tá aí um dos grandes méritos do cara). Um iPod é caríssimo se comparado a outros mp3 players do mercado e o que, A RIGOR, de diferente é oferecido? Navegabilidade? Qualidade sonora? Tudo isso é relativo, pois vivo muito bem sem um iPod, assim como tantas outras pessoas.

walkman
música portátil em fita K7

Segundo e mais importante: Jobs não criou a música portátil nem muito menos o mp3 player. Como alguns mais velhos lembram, a Sony inventou o Walkman em 1979 (há controvérsias quanto à invenção do padrão tecnológico), essa sim uma mega revolução na música. Naquele momento não existia possibilidade de uma pessoa ouvir música enquanto andava, por exemplo. Anos depois, veio o discman, e então era possível ter música portátil de melhor qualidade.

Pelo que consta – alguém me corrija, por favor – o mp3 foi inventado por alemães ainda no final dos anos 80, tecnologia que foi posteriormente aperfeiçoada. Somente em 1995 o formato ganhou esse nome e passou a correr o mundo. Aqui novamente entra a Sony, que meteu seus japoneses nerds no processo e criou, em 1997, um padrão de arquivo ainda melhor. No ano seguinte, os primeiros players de mp3 surgem, portáteis e com memória flash. Na história do mp3 eu nem citei ainda o Napster e sua tecnologia revolucionária de troca de arquivos ponto a ponto. A Apple só entrou no bonde em 2001, quando a empresa jogou no mercado o caríssimo player com 5G de capacidade – quando o mundo inteiro já consumia música portátil e já usufruía das maravilhas do mp3.

f10
Esse é o MPman F10, primeiro mp3 player lançado

O que quero dizer – novamente é preciso fazer uma ressalva para que os applefreaks não me ameacem de morte – é que Steve Jobs tem muita importância para a indústria da música, da distribuição ao consumo, mas não podemos deixar de analisar isso à luz dos fatos. As pessoas normalmente colocam em Jobs um carimbo de revolucionário em tudo que ele faz – e vemos que isso não é verdade. O cara teve o grande mérito de pegar o bonde andando e aperfeiçoá-lo, tornar o mp3 player algo comum, embora venda seus produtos a preços exorbitantes.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.