Crítica de Filme – O Palhaço (2011)

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nota06

direção: Selton Melo elenco: Selton Melo, Paulo José, Gisele Indrid, Eron Cordeiro país: Brasil gênero: drama/comédia ano: 2011

Em seu segundo filme como diretor, Selton Melo joga luz sobre um tema universal, a busca pela identidade própria, mas com um universo bastante particular, o mundo do circo.
“O Palhaço” conta a história do palhaço Benjamin, em crise com sua própria identidade, e do circo Esperança, uma trupe cheia de figuras inusitadas.
Na primeira incursão como diretor, Selton encarou um trabalho complexo, pois a história de “Feliz Natal” trazia até um argumento simples, mas uma condução espinhosa. E ele se saiu bem, apostando em caminhos pouco usuais. Dessa vez, ele tem novamente um roteiro simples com toques de humor e road movie, embora o verdadeiro pano de fundo seja mais dramático e profundo. É uma dosagem interessante: usar humor e algumas confusões como forma de conduzir uma história de drama. No caso de “O Palhaço”, temos o personagem atormentado com seus problemas pessoas, seu lugar no mundo, uma difícil relação com o pai (o também palhaço Puro Sangue, vivido por Paulo José), uma verdadeira busca pelo “quem sou eu”. Nada mais típico; diria até que esse é um problema que inevitavelmente todos nós um dia vamos enfrentar. Do outro, uma trupe povoada de personagens bizarros e esquisitos, mas que juntos formam uma família das mais engraçadas.
Selton teve essa preocupação de não focar muito em uma ou outra face da história, para que o filme não fosse considerado um drama ou uma comédia somente. O problema está justamente na parte dramática. OK, dá para entender o drama existencial de Benjamin, a ideia de que em certo momento da vida o cara pára e pensa: “que merda é essa que estou fazendo para viver?”. Mas Selton construiu seu próprio personagem de forma muito frágil, um tanto quanto boba. Difícil se identificar com ele, Benjamin é um mero bobalhão em certos momentos. Em outros, conseguimos olhar em seus olhos e sentir sua angústia, mas não sabemos o porquê exatamente. Falta essa conexão. Esse elo só é apresentado no final do filme e acontece muito rapidamente, não dando tempo suficiente para que a ponte se forme adequadamente.
Na parte da comédia, “O Palhaço” é excelente. Selton cria cenas hilárias sem derramar uma palavra sequer, uma piada, utilizando somente o misc èn scene do circo e de seus componentes esquisitos. E também investe pesado em cenas mais clássicas, de circo mesmo. Porém, a melhor de todas é a que conta com a participação especial de Moacir Franco, irreconhecível no papel do delegado Justo. Ele protagoniza a melhor cena do filme, brilhantemente dirigida por Selton Melo.
Como drama, “O Palhaço” promete e cumpre metade da sua missão. Já como comédia, o filme é um ótimo exemplar de gênero.

Em seu segundo filme como diretor, Selton Melo joga luz sobre um tema universal, a busca pela identidade própria, mas com um universo bastante particular, o mundo do circo.

“O Palhaço” conta a história do palhaço Benjamin (Selton Melo), em crise com sua própria identidade, e do circo Esperança, uma trupe cheia de figuras inusitadas.

Na primeira incursão como diretor, Selton encarou um trabalho complexo, pois a história de “Feliz Natal” trazia até um argumento simples, mas uma condução espinhosa. E ele se saiu bem, apostando em caminhos pouco usuais. Dessa vez, ele tem novamente um roteiro simples com toques de humor e road movie, embora o verdadeiro pano de fundo seja mais dramático e profundo. É uma dosagem interessante: usar humor e algumas confusões como forma de conduzir uma história de drama. No caso de “O Palhaço”, temos o personagem atormentado com seus problemas pessoais, seu lugar no mundo, uma difícil relação com o pai (o também palhaço Puro Sangue, vivido por Paulo José), uma verdadeira busca pelo “quem sou eu”. Nada mais típico; diria até que esse é um problema que inevitavelmente todos nós um dia vamos enfrentar. Do outro, uma trupe povoada de personagens bizarros e esquisitos, mas que juntos formam uma família das mais engraçadas.

Selton teve essa preocupação de não focar muito em uma ou outra face da história, para que o filme não fosse considerado um drama ou uma comédia somente. O problema está justamente na parte dramática. OK, dá para entender o drama existencial de Benjamin, a ideia de que em certo momento da vida o cara pára e pensa: “que merda é essa que estou fazendo para viver?”. Mas Selton construiu seu próprio personagem de forma muito frágil, um tanto quanto boba. Difícil se identificar com ele, Benjamin é um mero bobalhão em certos momentos. Em outros, conseguimos olhar em seus olhos e sentir sua angústia, mas não sabemos o porquê exatamente. Falta essa conexão. Esse elo só é apresentado no final do filme e acontece muito rapidamente, não dando tempo suficiente para que a ponte se forme adequadamente.

Na parte da comédia, “O Palhaço” é excelente. Selton cria cenas hilárias sem derramar uma palavra sequer, uma piada, utilizando somente o misc èn scene do circo e de seus componentes esquisitos. E também investe pesado em cenas mais clássicas, de circo mesmo. Porém, a melhor de todas é a que conta com a participação especial de Moacir Franco, irreconhecível no papel do delegado Justo. Ele protagoniza a melhor cena do filme, brilhantemente dirigida por Selton Melo.

Como drama, “O Palhaço” promete e cumpre metade da sua missão. Já como comédia, o filme é um ótimo exemplar de gênero.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.