Crítica de Filme – A Pele Que Habito (2011)

pele

nota08

direção: Pedro Almodóvar
elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet
país: Espanha
gênero: drama
ano: 2011

Quando escrevi sobre “Abraços Partidos”, em 2009, disse que era ótimo acompanhar um diretor do calibre de Almodóvar se reinventar. No caso de “A Pele Que Habito”, o sentimento permanece o mesmo, embora não direcionado ao fato do cineasta se reinventar, e sim pela qualidade como ele trata dos mesmos assuntos de maneiras completamente diferentes.
“A Pele Que Habito” conta a história do médico Robert Ledgard (Antonio Bandeiras), um cientista obstinado em suas descobertas científicas e atormentado por um histórico de tragédias familiares.
É possível encontrar nas críticas por aí muita gente associando esse filme a Frankstein, até comparando como se Almodóvar tivesse criado o Frankstein dos tempos modernos. De fato, há semelhanças, assim como também Dr. Ledgard pode ser comparado a Dr. Jekyll, de O Médico e o Monstro. São referências que certamente o diretor espanhol bebeu para criar seu ambiente particular, que é adaptado da obra Tarantula, de Thierry Jonquet. A diferença, que pende o lado positivo todo para Almodóvar, é que “A Pele Que Habito” não é um filme de gênero, com suas ações todas focadas na questão da ficção científica e do suspense. O longa tem tudo isso, mas os usa apenas como a base para a criação de um cenário muito mais rico simbolicamente e em convergência com a já rica carreira do seu diretor.
A obsessão amorosa e a paixão arrebatadora estão lá, tão comuns à Almodóvar, mas não acompanhamos isso de forma simples. Temos agora um médico obcecado por uma tal “pele perfeita”, que ele cria em seu laboratório particular a partir de sangue humano e suíno, testada em uma paciente presa em um quarto. Um cenário um tanto quanto macabro, pois a mulher não pode sair para nada e é controlada por câmeras. Quem é ela? Porque ela foi parar ali? Vai fugir? São tantas perguntas… Mas Almodóvar não deixa o filme se desenvolver apenas por esse lado, pois usa o recurso do tempo para ir apresentando outros fatos que vão se conectando para que nós consigamos responder aos questionamentos, mas ao mesmo tempo criamos tantos outros. Porque, obviamente, num filme de Almodóvar os personagens não podem ter apenas motivações científicas e palpáveis.
A paixão obsessiva, que não se completa em si e salta aos olhos está muito bem representada. O espectador vai descobrir porque Dr. Ledgard mantém aquela mulher presa em um cativeiro e vai entender que não é só porque é uma cobaia para seu experimento. Esse é o motivo óbvio, mas o motivo mais apaixonante e arrebatador é outro, fruto daquele repertório clássico do diretor espanhol: amor, sexo, traição. E tudo à flor da pele, num misto de tragédia e nonsense. Almodóvar é craque em filmar cenas absurdas e sem pé-nem-cabeça e transformá-las em situações das mais naturais possíveis – é só relembrar de Volver e Fale Com Ela. Na verdade, por mais idiota ou cruel que um personagem possa ser, a verdade é que nós torcemos por ele porque vemos nele uma paixão tremenda naquilo que ele está fazendo. E muitas vezes o que move isso é o amor. Igual a Dr. Ledgard.
O diretor, naturalmente, não deixaria de imprimir suas cores fortes e seus simbolismos carregados de referências históricas. O filme tem ótimas rimas, como os quadros espalhados pela mansão usados para casar com as cenas do cativeiro. Tudo bem arquitetado. E o mais interessante, que é a personagem vivida por Elena Anaya, embebida de um tom estético que vai da total assepsia, para completa sensualidade. E isso com um toque especial, que o espectador só vai descobrir perto do fim.

Quando escrevi sobre “Abraços Partidos”, em 2009, disse que era ótimo acompanhar um diretor do calibre de Almodóvar se reinventar. No caso de “A Pele Que Habito”, o sentimento permanece o mesmo, embora não direcionado ao fato do cineasta se reinventar, e sim pela qualidade como ele trata dos mesmos assuntos de maneiras completamente diferentes.

“A Pele Que Habito” conta a história do médico Robert Ledgard (Antonio Bandeiras), um cientista obstinado em suas descobertas científicas e atormentado por um histórico de tragédias familiares.

É possível encontrar nas críticas por aí muita gente associando esse filme a Frankstein, até comparando como se Almodóvar tivesse criado o Frankstein dos tempos modernos. De fato, há semelhanças, assim como também Dr. Ledgard pode ser comparado a Dr. Jekyll, de O Médico e o Monstro (pelo leve toque de personalidade dupla). São referências que certamente o diretor espanhol bebeu para criar seu ambiente particular, que é adaptado da obra Tarantula, de Thierry Jonquet. A diferença, que pende o lado positivo todo para Almodóvar, é que “A Pele Que Habito” não é um filme de gênero, com suas ações todas focadas na questão da ficção científica e do suspense. O longa tem tudo isso, mas os usa apenas como a base para a criação de um cenário muito mais rico simbolicamente e em convergência com a já rica carreira do seu diretor.

A obsessão amorosa e a paixão arrebatadora estão lá, tão comuns à Almodóvar, mas não acompanhamos isso de forma simples. Temos agora um médico obcecado por uma tal “pele perfeita”, que ele cria em seu laboratório particular a partir de sangue humano e suíno, testada em uma paciente presa em um quarto. Um cenário um tanto quanto macabro, pois a mulher não pode sair para nada e é controlada por câmeras. Quem é ela? Porque ela foi parar ali? Vai fugir? São tantas perguntas… Mas Almodóvar não deixa o filme se desenvolver apenas por esse lado, pois usa o recurso do tempo para ir apresentando outros fatos que vão se conectando para que nós consigamos responder aos questionamentos, mas ao mesmo tempo criamos tantos outros. Porque, obviamente, num filme de Almodóvar os personagens não podem ter apenas motivações científicas e palpáveis.

A paixão obsessiva, que não se completa em si e salta aos olhos está muito bem representada. O espectador vai descobrir porque Dr. Ledgard mantém aquela mulher presa em um cativeiro e vai entender que não é só porque é uma cobaia para seu experimento. Esse é o motivo óbvio, mas o motivo mais apaixonante e arrebatador é outro, fruto daquele repertório clássico do diretor espanhol: amor, sexo, traição. E tudo à flor da pele, num misto de tragédia e nonsense. Almodóvar é craque em filmar cenas absurdas e sem pé-nem-cabeça e transformá-las em situações das mais naturais possíveis – é só relembrar de Volver e Fale Com Ela. Na verdade, por mais idiota ou cruel que um personagem possa ser, a verdade é que nós torcemos por ele porque vemos nele uma paixão tremenda naquilo que ele está fazendo. E muitas vezes o que move isso é o amor. Igual a Dr. Ledgard.

O diretor, naturalmente, não deixaria de imprimir suas cores fortes e seus simbolismos carregados de referências históricas. O filme tem ótimas rimas, como os quadros espalhados pela mansão usados para casar com as cenas do cativeiro. Tudo bem arquitetado. E o mais interessante, que é a personagem vivida por Elena Anaya, embebida de um tom estético que vai da total assepsia, para completa sensualidade. E isso com um toque especial, que o espectador só vai descobrir perto do fim.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.