A cena da vez é tirada do filme “Sherlock Holmes”, em sua recente versão dirigida por Guy Ritche e protagonizada por Robert Downey Jr. e Jude Law. A cena em questão não é tão importante em si, mas acontece num momento crucial do filme e se revela primorosa do ponto de vista técnico.
A despeito do filme realmente não ser tão interessante, esse momento específico é executado de forma cirúrgica. É uma situação rara em que Holmes se dá mal e era preciso mostrar que ele poderia morrer ou se ferir gravemente – embora, claro, todos nós sabemos que isso seria impossível. Mas era necessário passar a ideia de que o herói corria perigo e que ele é humano, recurso comum – obrigatório, diriam uns – para que o espectador se identifique com o personagem. Afinal, homem aranha não é o herói preferido dos adolescentes?
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Ritche explica que a cena foi gravada em poucos takes e dividida basicamente em dois momentos: a gravação real, em que os atores e dublês contracenaram num ambiente verdadeiramente hostil, onde as explosões são reais (eu contei treze, ou seriam mais?); e o trabalho de pós-produção, que consumiu seis meses. Na primeira parte, Ritche filmou um take único que conduz quase a cena inteira, uma sequência espinhosa de explosões. Mas também é possível ver que ele adicionou outros takes, porque seria quase impossível fazer de uma vez só. Já na segunda parte, o diretor explica que foram acrescentados todos os elementos da cena: madeiras voando, fogo, fagulhas, vento etc. Ou seja, foi preciso um trabalho árduo e penoso de seis meses para encaixar elemento por elemento e, principalmente, sincronizar tudo no tempo da cena, que é em câmera lenta.
A cena é uma amostra simples para diretores super badalados que filmam em cortes frenéticos, em filmes como Transformers, impossível de se entender a dinâmica das lutas e movimentos de tão rápido que a montagem é feita. Ponto para Guy Ritche.












