
direção: Steven Spielberg
elenco: Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Tom Hiddleston
país: EUA
gênero: drama/guerra
ano: 2011
Talvez o diretor mais bem sucedido da Hollywood moderna, Steven Spielberg chega novamente às telonas, em “Cavalo de Guerra”, com a experiência que lhe é peculiar, ousando na medida certa, apostando em velhas (boas) fórmulas e, claro, deixando que seu talento siga o rumo natural da história.
O filme conta histórias paralelas passadas no período da 1ª Guerra Mundial, todas costuradas pela presença do inusitado cavalo Joey.
O espectador que se depara com um filme de Spielberg certamente vai ser brindado com um primor de cinema. Claro que muitos de seus projetos não são tão bons no sentido amplo, mas a qualidade técnica cinematográfica impressa pelo diretor é inegável. Se um diretor qualquer faz um filme recheado de clichês, boa parte destes foi criado por Spielberg. E mais: é difícil encontrar diretor que faça um longa tão bom e tão povoado por cenas clichê. É preciso talento e experiência para filmar um cavalo em contra-luz, com o sol nascendo ao fundo e, ainda assim, soar tão belo e encantador. Por isso é que “Cavalo de Guerra”, apesar dos problemas estruturais e do roteiro apenas regular, nos comove e, principalmente, nos proporciona uma excelente experiência cinematográfica.
O roteiro, na verdade, se divide em alguns pedaços interessantes, embora a história principal seja a do garoto inglês Albert (Jeremy Irvine), fascinado e amigo fiel de seu cavalo Joey, que vê seu mundo desmoronar ao ter o cavalo vendido para os oficiais da primeira guerra mundial. A clássica história da separação, após um início em que o filme constrói bem a relação de amizade e cumplicidade dos dois. A partir daí, “Cavalo de Guerra” se transforma na trajetória de Joey para sobreviver à guerra, passando pelas mãos de pessoas más e de outras que criam grande simpatia pelo animal “imortal”. Com isso, mesmo que o princípio do longa seja mais cadenciado, com uma trilha sonora floreada (John Williams, só “pra variar”) e passagens bem amarradas, a sequência nos coloca no trem desgovernado que é uma guerra de grandes proporções.
Spielberg é mestre em criar o clima para que o espectador seja jogado 100% para o ambiente da sua história. E ele não cansa em apelar para seus clichês já conhecidos: travellings grandiosos, alívios cômicos bem pontuados, personagens desacreditados, superação, redenção etc etc. Como disse, a cartilha que o próprio ajudou a criar (E.T., Indiana Jones, Império do Sol, dentre outros filmes) – ou, pelo menos, a tornar agradável. A história do filho e do pai, envolvendo ressentimento e redenção? Opa, porque não?! E os famosos closes no rosto do personagem para pontuar sua reação a cenas impactantes? É claro! (veja esse vídeo que explica a técnica e como o diretor a emprega em diversos filmes). No momento em que o longa entra na parte mais densa, ele também segue seus bons momentos e revive tempos de grandiosas cenas de batalha, mas dessa vez com esse inusitado “intruso”, o cavalo.
Em certos momentos, o foco principal não é mais o cavalo, e sim a relação das pessoas perante um cenário tão devastador e delicado, como a guerra, fato que acompanhamos a partir do ponto de vista de alemães, franceses e ingleses. Lições de moral podem ser encontradas na história e até momentos bem bobos, o que talvez atrapalhe um pouco o filme. A identificação com aquelas histórias existe, mas algumas cenas são dispensáveis, pois martelam demais aquilo que já estamos acompanhando desde o começo do filme.
A classificação de 12 anos e a intenção de fazer um filme “família” pode ser uma explicação para o não aprofundamento em questões mais densas e para o paradoxo que é, em meio à primeira guerra mundial, alemães conversarem entre si em inglês. Ou até mesmo para o fato de que não há uma gota de sangue sequer em todo o filme (é, isso é possível. Spielberg torna isso possível). Mas essa certa leveza é que permite provavelmente a cena mais curiosa e bela do filme, em que dois soldados (um alemão e outro inglês) se unem num campo de batalha para salvar o cavalo.













“Mas essa certa leveza é que permite provavelmente a cena mais curiosa e bela do filme, em que dois soldados (um alemão e outro inglês) se unem num campo de batalha para salvar o cavalo.” – Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz Eles ainda ficam fazendo piadinhas… filme muito chato.
O último filme legal de Spielberg foi A Lista de Schindler, de 93. O diretor envelheceu mal e se tornou um chato.
Xará
preste mais atenção no mestre
To querendo ver, vou ver se consigo ir essa semana.
Por favor, Rodrigo, reveja seus conceitos. Roteiro ruim, montagem pior ainda, o ator central inexpressivo, a infantilização patológica do personagem, eliminação precoce ou descabidas de figuras importantes da trama, final tosco e homenagens pastiches (E o Vento Levou ou Como era Verde meu Vale…). Também fui, desde criança,fã do mestre Spielberg, mas hoje sou maduro o suficiente para compreender que nem tudo que o mestre faz é obra-prima. Em síntese: o filme é péssimo.
Junior
Respeito que você ache o roteiro ruim, mas eu não consigo ver dessa forma. Como disse no texto, o cavalo é importante na trama, mas ele costura as histórias que correm tendo a guerra como pano de fundo e vejo que isso foi feito de forma eficaz. A referência à …E o Vento Levou é óbvia? Sim, mas acho que cumpre seu papel. Pra finalizar, eu em nenhum momento disse que o filme é uma obra-prima (dei nota 8).
Filme chatíssimo! Parece que foi feito por Kubrick… excessivamente longo, chato, sem histórias interessantes… aliás, a única parte boa do filme é quando os dois cavalos vão para a fazenda da menina e do avô. Aquela parte é a melhor de todas e já valia um filme.
O cara não tem relação com nenhuma mulher. A que aparece, no início e parece que começa um flerte com ele, nunca mais volta.
Aliás, eu tava achando que o cavalo principal e o coadjuvante formassem um casal… o cavalo preto parecia uma égua.
O final é uma porcaria também…
Eu gostei. Não achei o filme chato ou longo como os colegas comentaram acima. Achei a fotografia excelente e a trilha espetacular (como é de costume em filmes do Spielberg).
Tentei gostar do filme enquanto o assistia, no cinema, mas sequência ou outra conseguiu me salvar do tédio e da irritação. Na metade, eu já fiquei de olho no relógio para acabar logo e eu poder ir embora. Quando eu realmente gosto de um filme, isso jamais acontece.