
direção: Afonso Poyart
elenco: Fernando Alves Pinto, Maret Descartes, Thogun, Tahide, Alessandra Negrini, Caco Ciocler
país: Brasil
gênero: policial/ação
ano: 2011
Muitas vezes confuso, muitas vezes ágil, “Dois Coelhos” aposta na estética pop contemporânea para entregar uma história alucinante cheia de reviravoltas.
O filme segue Edgar (Fernando Alves Pinto), um rapaz que está de volta à São Paulo disposto a fazer de tudo para completar seu plano mirabolante para, segundo o próprio, “matar dois coelhos com uma cajadada só”.
Embora sua trama seja interessante do ponto de vista da ação, não é esse o ponto que salta aos olhos em “Dois Coelhos”. O estreante Afonso Poyart, que só poderia ter vindo da publicidade, construiu uma torre de babel de referências estéticas. Tem de tudo: desde grafismos street art, passando por cenas non sense para ilustrar pensamentos, até momentos em que o personagem abandona o set e vai parar num videogame. Tudo isso misturado, sem cautela nenhuma. A verdade é que Poyart, ao tentar abrir a porta, decidiu não usar o modo natural. Meteu foi o pé e arrombou. Por isso essa avalanche de referências pop, que povoam o imaginário do público e ajudam a transportar todos para aquele universo. Mas isso é ruim? Não necessariamente.
De fato, os primeiros 20 ou 25 minutos de filme são ruins, pois há uma concentração absurda de maneirismos e jogadas de cena que atrapalham o desenrolar da trama. Talvez esse seja o erro do diretor e roteirista, pois ele não poupa esforços em jogar tudo que sabe na tela em pouco tempo. Por sorte, ele não deixa a peteca cair no ponto final e retoma a ponta solta da história – dessa vez para nunca mais largar. A linguagem ágil e por vezes atrapalhada – que no princípio é utilizada para dar a ideia de como é a vida de Edgar e como ele imagina os outros personagens do filme – passa a servir à história. E aí o filme se torna um verdadeiro filho do gênero policial/ação, cheio de perseguição de carro, troca de tiros e reviravoltas no roteiro. É difícil parar para respirar.
Na trama em si, Poyart derrapa um pouco. Se as cenas se sucedem rapidamente, a explicação da motivação dos personagens é confusa. Em alguns casos isso é proposital, como para Edgar (é preciso mesmo que o espectador não saiba direito porque Edgar está fazendo aquilo tudo). Mas, para o deputado, por exemplo, a motivação é pueril demais. Ainda assim, é possível esquecer um pouco isso pela forma como o filme é entregue – uma linguagem que se não é inovadora é, ao menos, pretensiosa na medida certa, pois evoca o modo como os jovens de hoje consomem informação e entretenimento. “Dois Coelhos” tem a cara dos jovens, e isso faz toda a diferença.
No elenco, destaques para o protagonista Fernando Alves Pinto, seguro de si e eficiente na narração em off, e principalmente Marat Descartes, na pele do vilão Maicon, que empresta ótima construção de personagem, sem caricatura e com ar de perigoso bandido.
Mesmo que o desfecho deixe a desejar, por se tratar de uma ideia muito bonitinha para ser verdade, “Dois Coelhos” cumpre muito bem seu papel de um autêntico filme de gênero com roupagem jovem e atual.













TO bem curioso pra ver, vou ver se faço isso em breve.
Caramba, nunca mais visitei o Café! Rodrigão, estou louco para ver esse filme. Parece ser muito interessante, acho que você concordou com isso. E ainda tem uma das minhas musas do cinema / TV nacional: Alessandra – fabulosa/ linda / de olhar meio louco e sexy – Negrini.
Abraços!
Esse filme é excelente. Bem dirigido, roteiro bem amarrado e efeitos especiais pra ninguém botar defeito. É legal ver o cinema nacional se reinventando nesse sentido.