Crítica de Filme – Sherlock Holmes: Jogo de Sombras

direção: Guy Ritche
elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris
país: Inglaterra
gênero: aventura/ação
ano: 2011

Na sequência da franquia de sucesso Sherlock Holmes, Guy Ritche joga todas suas fichas em dobradinhas: Downey Jr e Jude Law e humor e ação, embora muitas vezes essa conta não feche tão perfeitamente.

“Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras” conta uma aventura em que Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) e Dr. Watson (Jude Law) partem em busca da solução de uma série de crimes que pode ter conseqüências fatais para o jogo político europeu.

Talvez o grande mérito de Guy Ritche à frente de Sherlock Holmes seja o de atualizar a história clássica do inspetor inglês implacável, dando-lhe um tom moderno, ágil, cafajeste e bem humorado. Ninguém melhor do que Robert Downey Jr. para o papel, um ator que já provou sua eficácia e que se dá muito bem em papeis que exigem sarcasmo, humor e ação. Ele está ao lado de Jude Law e os dois realmente fazem uma dupla de respeito. A química é quase que instantânea: basta um estar na tela que já procuramos o outro, revelando que os dois atores são ótimos no que fazem e, claro, a direção não poupa esforços em criar o clima para tal.

No entanto, é curioso que essa mesma situação seja também um problema em ‘Jogo de Sombras’. Os dois personagens são excessivamente explorados na primeira parte do filme. Não há história, nem outros personagens. É sempre Holmes fazendo piadinhas com Dr. Watson levantando todas as bolas para seu companheiro. É praticamente uma hora inteira de projeção até que o filme realmente comece e sejamos apresentados à motivação, à missão, vilão etc. Veja bem, antes, tudo está lá, mas como se estivesse em suspensão para que a atenção inteira seja direcionada às piadinhas de Holmes e seu jeito irreverente de ser. Cansa.

Por sorte (nossa), Ritche resolve retomar as rédeas a tempo. Quando Holmes está de fato em ação, não há para ninguém. Sua super inteligência e capacidade de pensamento lógico são incríveis. Além disso, ele consegue antecipar as ações de seus inimigos, um talento que é muito bem filmado por Ritche. Esse, aliás, é um recurso que o torna único, diferente de outros espiões/investigadores famosos do cinema. Essas cenas envolvem o espectador, criam um clima interessante que mistura suspense e aventura. As gags de humor, nesse momento do filme, já estão bem mais diluídas e funcionam como o alívio cômico que devem ser, não estando no foco central.

É aí que somos apresentados a sequências bem elaboradas tecnicamente, um primor que fica a cargo da equipe de efeitos especiais. Segue a linha do que já tinha sido feito no filme anterior, mas aqui funcionam melhor, são mais ágeis e se encaixam melhor no roteiro. A cena da fuga na floresta é como se estivéssemos vendo um filme antigo filmado com a perícia de Matrix. É ágil e nos transporta para dentro da cena; tem câmera lenta, tem som claudicante. E, no oposto disso tudo, Jogo de Sombras também tem uma bela cena final sem nenhum efeito, só com o jogo de rimas entre um jogo de xadrez, a conversa de Holmes com o vilão James Moriaty e Dr. Watson e Simza tentando salvar o mundo. Tudo ao mesmo tempo e sincronizado. E dessa vez o vilão é bem construído, sem muitas caricaturas, mas também nada muito profundo para que não ofusque a ação.

Como gênero ação e aventura, ‘Sherlock Holmes: Jogo de Sombras’ funciona bem, embora tenha perdido preciosos minutos iniciais apenas com cenas engraçadas e repetitivas.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.