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direção: George Clooney
elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Phillip Seymor-Hoffman, Marisa Tomei, Paul Giamatti
país: EUA
gênero: drama
ano: 2011
“Tudo pelo Poder” pode ser considerado um filme que aborda um tema denso e até polêmico, mas a condução da história nos leva a aceitar o desafio de mergulhar nesse intrigante panorama político de eleições primárias americanas.
O filme conta a história do assessor político Steven (Ryan Gosling), que tenta seguir seu rumo entre intrigas políticas e valores pessoais em meio a uma típica eleição conturbada.
De fato, a temática de “Tudo Pelo Poder” é densa, afinal, são 100 minutos falando sobre política. A tarefa pode ser ainda mais cansativa porque o cenário é dos EUA, que tem um sistema eleitoral complexo e estranho a olhares de fora. Mas não é bem assim. O roteiro é muito eficaz ao dar fluidez às cenas políticas, inserindo sempre situações curiosas que envolvem marketing e bastidores de campanha. Quando pensamos que o assunto é sério demais e chato, vem lá uma tirada engenhosa de Paul, o personagem brilhantemente interpretado por Phillip Seymor-Hoffman. Ou então o próprio Steven joga seu charme e preenche a tela com bastante competência.
Ainda assim, quem quiser saber como é uma campanha eleitoral americana se dará por satisfeito. Clooney, como diretor, sabe usar bem os atores que tem em cena e os deixa fazer tudo sozinho. Sim, essa também é uma qualidade: não atrapalhar a interpretação do ator, principalmente se estamos falando de talentos como Ryan Gosling e Phillip Seymor-Hoffman.É por isso que fica fácil se transportar para o ambiente do filme, povoado de pessoas workaholic e personagens importantes para política por trás dos holofotes. Aliás, “Tudo Pelo Poder” não é um filme sobre grande nomes de uma corrida eleitoral, e sim sobre como as eleições se encaminham. E nesse percurso diversos questionamentos são jogados na tela: vale tudo para se eleger? É mais importante esconder fatos do que mostrá-los para poder se eleger? Lealdade é mais importante que inteligência?
Interessante também como o candidato Morris é tratado: super cool e moderno na linha de frente, carinhoso com a esposa e extremamente duro e frio nos momentos mais delicados da campanha. Nuances bem interpretadas por Clooney. Já quanto a Steven, também é interessante perceber como ele vai mudando ao longo do filme e, principalmente, como no jogo político qualquer erro é fatal – como, aliás, ele próprio diz em certo momento. Um mundo repleto de gente preparada para jogar todas as fichas a qualquer momento.
“Tudo Pelo Poder” também entra num terreno espinhoso ao glorificar os democratas em oposição aos bad guys republicanos, que pode gerar problemas para os mais radicais americanos. Isso fica mais claro no momento em que a campanha de Norris precisa apelar e jogar sujo, o que é rapidamente associado ao modo normal de atuação dos republicanos. Não quero entrar em questões políticas mais diretas, no entanto, é importante pontuar essa questão. De qualquer forma, isso pode ser encarado como aquela velha máxima de que todo político é igual e corrupto – o que, convenhamos, não é a forma mais inteligente de encarar a coisa.
[SPOILER] P.S.: as pessoas falam tão mal de dublagem, mas a legendagem brasileira anda mal das pernas. Lamentável várias passagens do filme, em que o que saía da boca do personagem era bem diferente do que se lia na tela. O principal erro é quando Molly diz: “i’m in trouble” e a legenda manda um “eu estou grávida”, antecipando o que só seria revelado no final da cena – e de forma bem mais discreta. [SPOILER]
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Gostei pra caralho desse filme.
Tem um filme do Mike Nichols chamado Segredos do Poder que mostra as primárias democratas de um candidato claramente inspirado em Bill Clinton. É um filme meio chatinho, mas mostra bem os bastidores do poder. Agora esse do Clooney, não achei grande coisa.