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	<title>Café Com Pop &#187; Sem categoria</title>
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		<title>Homem da fé, homem da ciência: o fim de Lost</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 03:05:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse post pode se tornar chato para alguns ou não despertar interesse algum, afinal, nem todos são apaixonados por Lost. Eu sou. Virei um grande aficionado pela série e, confesso, estou muito feliz por ter terminado. E, antes de mais nada, eu achei o final ótimo, sensacional e totalmente de acordo com a série como um todo. E porque feliz pelo fim? Ora, se é pra terminar um dia, que termine em grande estilo.</p>
<p>Lost, na verdade, pode ser dividido em duas partes praticamente iguais. A primeira compreende as 3 primeiras temporadas e a segunda o resto. São duas séries completamente diferentes nesses períodos, muito embora haja forte conexão entre elas – além da óbiva, que são os personagens. A primeira parte é a intensidade da ação, o novo tomando conta da cena. Tudo aquilo saltava aos olhos. O que era um urso polar no meio de uma ilha tropical? Outros? Que outros? Vozes? Que vozes? A condução narrativa “inovadora” trazia os flashbacks e não deixava a peteca da ação cair. Era o contraponto perfeito entre compreensão (passado) e desenrolar (presente). Um não vive sem o outro – o que parece que muitos seriados esquecem, aliás. O entendimento de Lost nessa primeira etapa se deu bastante por essa narrativa entrecortada de passado e presente.</p>
<p>Os segredos não revelados e mistérios iam surgindo a cada novo episódio. Esse foi outro grande trunfo, ou seja, trazer sempre coisa nova (de qualidade) sem que isso se tornasse chato. Fato que só foi possível pelas boas idéias da equipe de criação. Os flashbacks sempre traziam informações precisas sobre os personagens e suas ações, sempre condizentes com seu passado. Assim vimos um Jack determinado, o homem da ciência, impulsivo até a alma, prestes a qualquer momento carregar o mundo nas costas. E tudo era explicado aos poucos no decorrer de pequenas ações e dos flashbacks. Assim foi com todos os principais personagens: Locke, Hurley, Saywer, Kate, Sun, Jin, Michael etc etc.</p>
<p style="text-align: center; "><img class="aligncenter" src="http://lostbutfound.typepad.com/photos/uncategorized/2008/02/12/4x02cap625.jpg" alt="" width="480" height="266" /></p>
<p>Essa primeira etapa passou e tínhamos a certeza exata do que estava acontecendo, embora, obviamente, não tivéssemos a noção exata de nada. Tá, parece contraditório, mas não é. Em Lost, quanto mais você descobria (ou tentava), menos você sabia. E tudo ficou ainda mais nebuloso no final da terceira temporada, quando ocorreu aquele petardo, uma bomba jogada com força na mente de todos os apaixonados pela série. Aquele final parecia uma provocação, mas não, era tudo “verdade”. Na minha opinião, nada superou o “we have to GO bak” de Jack para Kate. E o pior é que meses se passaram para nos recuperarmos do choque. No período entre uma temporada e outra, muitas especulações. E aí entra outro grande acerto da série.</p>
<p>Lost é uma experiência. Tá, tudo é experiência, mas aqui o sentido é o de ampliar o simples “assistir”. Ninguém assiste Lost, e sim acompanha. Lost é debater com o amigo, sempre. Não há o Lost solitário. Lost é correr atrás das mais mirabolantes teses sobre a ilha, a fumaça, Jacob, Locke e tudo mais. A experiência coletiva proporcionada é muito maior que o simples episódio, que, vamos combinar, já é bastante coisa. Os fãs foram os maiores “criadores” da série, amplificaram o alcance da série e a colocaram com status de experiência coletiva. Por isso as milhares de comunidades, que, tudo bem, acontece com qualquer seriado de sucesso, mas que no caso de Lost promove muito mais do que joguinhos de “qual personagem você seria?”. É física quântica para leigos, leis da física aparentemente sem sentido, o tal gato de Schrodinger e uma infinidade de teorias. Isso fez com que alguns decretassem o fim da TV como nós conhecemos; “do tubo ao youtube”, vi em alguns lugares.</p>
<p style="text-align: center; "><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/vK5LacXdwbo" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/vK5LacXdwbo"></embed></object></p>
<p>E aí a segunda fase. Eu denominaria de aprofundamento, contemplação, vivência, teorização. Tem muita coisa nessas três temporadas. Aliás, muito mais coisas que nas anteriores. Essa é a fase mais psicodélica e adulta, assim como os Beatles que tiveram a primeira fase pop (as 3 primeiras temporadas de Lost) e depois se jogaram em músicas mais trabalhadas. Locke ganhou força ao lado de Benjamin, mas sem deixar Jack de lado (esse, pra mim, é o melhor personagem de todos, ao lado de Ben, um pouco atrás. Incrivelmente profundo, cheio de nuances e muito bem interpretado por Mathew Fox). A história de Jacob e seu irmão também foi aparecendo aos poucos e, claro, muita coisa foi sendo desvendada. Os mistérios da ilha ficaram mais complexos e pudemos entender, por exemplo, o que era efetivamente a Iniciativa Dharma para, logo após, percebermos que era “fichinha” perto do que estávamos acompanhando.</p>
<p>No final, todo mundo ficou meio decepcionado. Eu não. E explico. Se a gente for resgatar os episódios, um a um desde a primeira temporada, veremos sempre a dicotomia fé x razão, ciência x sobrenatural. Isso está a priori em Lost. E digo mais: isso é um a priori da condição humana, embora os ateus vão discordar veementemente de mim. No frigi dos ovos, vemos Locke x Jack em quase todo o seriado. Tente relembrar aí quantas vezes eles brigaram, reataram, desbravaram a ilha juntos, brigaram de novo. A representação de Locke é da fé, afinal, vocês se lembram, o cara simplesmente se curou da paralisia ao pousar na ilha. Se isso não é milagre&#8230; Desde o primeiro momento em que ele aparece, ele já está jogado em meio a uma fé que nem ele sabe o que é. Mas a gente não sabe disso, mas dá para perceber em várias cenas e, principalmente, no fato dele ter sido o único (quase, teve também Rose, que se curou do câncer) que acreditava no “poder” da ilha e que queria desvendar isso. Não há ciência para aquilo, embora todas as teorias válidas tenham sido discutidas. Jack era o homem da razão, que percorreu toda uma trajetória dentro das 6 temporadas para, enfim, se “entregar” ao imponderável.</p>
<p>O final foi isso. Depois que terminou, devemos encarar os flash-sideways como tal e não tentar encaixá-los em um período de tempo. Digamos que tudo estivesse “suspenso”, uma verdadeira realidade paralela. A realidade era mesmo aquela da ilha, por isso que no final quando aparece todos reunidos já é um terceiro momento, em um outro “plano”. Sei que essa palavra deve provocar ojeriza em muita gente, mas vamos fazer um pouquinho de esforço e ir além da teoria espírita. Os três momentos seriam: a ilha (o real, que estava acontecendo de fato), a vida paralela (ativada pelo eletromagnetismo da ilha, mas que não se configura como real, passado, presente nem futuro; mas também não é imaginário); e o fim, o encontro em que todos já estavam mortos e, portanto, era posterior aos acontecimentos finais do último episódio.</p>
<p>Confuso. É, bem confuso mesmo. Mas sabe de uma coisa? Melhor assim. Muita coisa não foi explicada e, a meu ver, nem deve ser. O seriado em nenhum momento chamou o espectador de burro e deu explicações vazias. O mais legal é você criar seu final, seu caminho próprio a partir de suas experiências, expectativas e frustrações. A base foi dada. E Lost não tem fim.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.hobotrashcan.com/downthehatch/photos/090220-jackseye.jpg" alt="" width="500" height="288" /></p>
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		<title>Crítica &#8211; Quem Quer Ser um Milionário? (2008)</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 20:56:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[direção: Danny Boyle elenco: Dev Patel, Freida Pinto, Azharuddin Mohammed Ismail, Ayush Mahesh Khedekar país: UK/Índia gênero: drama/romance ano: 2008 título original: Slumdog Millionare Surfando na onda pop em que...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.planetbollywood.com/Pictures/Posters/SM1P.jpg" alt="" width="146" height="217" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota06.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-68" title="nota06" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota06.jpg" alt="nota06" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Danny Boyle<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: Dev Patel, Freida Pinto, Azharuddin Mohammed Ismail, Ayush Mahesh Khedekar<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: UK/Índia<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: drama/romance<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 2008<br />
<span style="text-decoration: underline;">título original</span>: Slumdog Millionare</h3>
<p>Surfando na onda pop em que se meteu no lançamento do seu novo filme, “Quem Quer Ser um Milionário”, Danny Boyle foi visto nesse filme mais como um grande realizador do que um bom contador de histórias. E nesse fato parece residir o grande problema do filme: querendo ser maior do que realmente é, “Quem Quer&#8230;” peca ao tentar ser grande demais e esquecer boa parte de sua história, embora em muitos momentos a temática social funcione perfeitamente.</p>
<p>O filme acompanha a trajetória de Jamal e seu irmão Salim, em diversas situações durante a infância e a adolescência. Passando por maus bocados e enfrentando a pobreza, fome e criminalidade, os dois crescem e tomam rumos diferentes, embora Jamal seja eternamente apaixonado por Latika desde quando eram crianças. Paralelamente, é contada a história da participação de Jamal em um programa de televisão semelhante ao brasileiro “Show do Milhão”.</p>
<p>Boyle, conhecido por filmes de temáticas distintas e até alguns exageros, aparece novamente no cenário com um filme grandioso. Não adianta tentar analisá-lo com o viés social apenas – e a utilização de atores não profissionais, locações reais, temática social, etc. O roteiro, e consequentemente a direção de Boyle, segue uma linha muito perfeita. Tudo se encaixa milagrosamente, as falas são bonitas demais, os cenários riquíssimos cinematograficamente e o arco dramático se constrói de uma maneira catastroficamente bela. Ou seja, tudo dá errado para um final (desculpem os que ainda não assistiram, mas é óbvio demais) espetacular e grandioso. É inevitável.</p>
<p>O roteiro segue, em sua primeira parte, de maneira coerente. Privilegiando as travessuras de Jamal e seu irmão, Salim, somos apresentados a uma Índia muito longe do glamour do Taj Mahal e de outras produções, inclusive uma tal novela brasileira. Ponto para Boyle e Simon Beaufoy (roteirista), que inclusive emulam em muitas cenas acontecimentos do excelente Cidade de Deus – comparem a cena inicial do longa brasileiro com a cena em que os meninos correm dos policiais. A fotografia é bela e os cenários mais do que ideais para a temática social que “Quem Quer&#8230;” adota nessa parte inicial. Isto é, até certo ponto, quando somos bombardeados com a história fraca do programa de televisão, que nada acrescenta ao filme, apenas está lá para dar um clima de tensão totalmente indispensável. Ou alguém achou realmente que Jamal não responderia todas as perguntas corretamente? Essa informação, aliás, é dada nos primeiros minutos de projeção.</p>
<p>Essa alternância entre os dois momentos de Jamal é completamente dispensável, roubando o foco para algo sem relevância, uma vez que poderíamos estar acompanhando a história do garoto e suas conseqüências. Aliás, é interessante ver a relação dele com o irmão, Salim, talvez o personagem mais rico dramaticamente do filme. Sempre cruel e carinhoso ao mesmo tempo, Salim é dono de uma determinação grande e nunca foge ao destino de proteger o irmão, mesmo que para isso ele tenha que, às vezes, tomar decisões duvidosas. Latika, por sua vez, mostra-se bastante frágil e sem forças para lutar, justamente o oposto do seu par romântico Jamal.</p>
<p>O roteiro ainda peca ao compilar num filme de 2 horas uma infinidade de histórias fantásticas, numa clara intenção de tratar sobre inúmeros assuntos num tempo claramente impossível de cumprir. E assim os espectadores são apresentados a fatos históricos importantíssimos, mas sem nunca vê-los aprofundados: a mudança de nome da cidade, os mendigos, fúria religiosa, expansão imobiliária, etc. É uma passagem de tempo muito grande em tão pouco tempo de projeção – ou então seria o caso do filme abandonar a chatice do programa de televisão para dedicar mais tempo à temática social indiana, essa sim que funciona muito bem.</p>
<p>Esse complexo de grandeza que Boyle adotou se reflete, também, em inúmeras cenas “videoclípticas”, em que os personagens estão fazendo qualquer coisa (geralmente fugindo de algo, brincando ou representando um momento qualquer da vida dos garotos) com uma música ao fundo. A montagem é pop, rápida e certeira, da maneira que a geração MTV gosta. Menos, Boyle, menos.</p>
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		<title>Crítica &#8211; O Lutador</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 20:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/foto/0,,17843654-EX,00.jpg" alt="" width="152" height="201" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota091.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-59" title="nota091" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota091.jpg" alt="nota091" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Darren Aronofsky<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: Mickey Rourke, Marisa Tomei e Evan Rachel Wood<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: EUA<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: drama<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 2008<br />
<span style="text-decoration: underline;">título original</span>: The Wrestler</h3>
<p>Ao falar de “O Lutator”, é impossível também não se lembrar da trajetória de Mickey Rourke, que interpreta o protagonista Randy “The Ram”. Com histórias bem semelhantes, os dois são vistos em trajetórias pouco lineares, mas de um enorme apelo dramático, num misto de superação e busca pela identidade que o filme dirigido por Darren Aronofsky apresenta aos espectadores.</p>
<p>O longa é mostrado a partir do ponto de vista de Randy “The Ram”, um lutador de luta livre que já viveu um grande sucesso no passado, mas que hoje luta apenas para sobreviver. Depois de receber a notícia de que tem que se aposentar, ele parte numa jornada de reviver antigos problemas e tentar retomar a vida da onde parece ter parado 20 anos atrás.</p>
<p>Na vida real, Rourke viveu os dois lados da moeda hollywoodiana: de um sucesso atrás do outro, o ator passou a amargar anos de ostracismo, para somente agora voltar ao auge de sua forma – embora tenha participado de outras produções na década de 90 e 00, como Sin City. O retorno não poderia deixar de ser numa história tocante e bela, em que somos apresentados a um Randy já maduro e consciente de suas limitações. O trabalho de Aronofskyé irreparável já no começo do longa, quando é mostrado uma narração em off e uma seqüência de fotos do velho Randy, o campeão de luta livre dos anos 80. A cena seguinte é um contraste perfeito da atual situação do ídolo: velho, cansado, mas ainda na ativa, ele demonstra estar no lugar perfeito para si, embora num corpo que claramente pede descanso.</p>
<p>O público não vê Randy no início. As cenas são filmadas de costas e com uma câmera levemente nervosa, demonstrando a inquietude da situação e escondendo o rosto do protagonista. Só vemos de fato a face do lutador depois de 5 minutos de filme, embora o vejamos de outro ângulo. E é impactante a hora que seu rosto é mostrado, numa cena escura e sombria, logo quando ele dá de cara com algums fotos antigas no carro. O trabalho de direção, aliás, é quase inretocável, sempre procurando mostrar o drama de Randy e suas implicações, mas sem nunca roubar a cena para si próprio.</p>
<p>O ídolo das lutas livres é quase sempre mostrado em seu ambiente favorito – ringues, academia, etc -, e quando não está lá, sofre e demonstra-se mais cansado ainda. Rourke entra de vez no personagem que, como foi dito anteriormente, possui uma história bastante semelhante com a dele. Perceba que em muitos momentos Randy está caminhando e o vemos de costas, quase sempre “bufando” de dor ou irritação, numa clara demonstração da capacidade técnica do ator ao criar um dispositivo simples para demonstrar o cansaço e enfado do personagem; é como se fosse um animal ferido, fato que ganha mais notoriedade se analisarmos a forma física “monstruosa” de Randy.</p>
<p>Ele é, portanto, um homem que vive uma dualidade. Se de um lado precisa ganhar dinheiro para se manter, do outro ainda é visto como ídolo de uma geração que persiste lutando não só para levar uns trocados a mais, mas também para satisfazer a si próprio. É somente nos ringues que ele se sente bem, embora sempre se machuque e precise enganar o público com golpes falsos e resultados armados. A velha situação só muda porque, em um dado momento do filme, Randy precisa parar de lutar, e é aí que ele resolve dar um rumo mais linear à sua vida.</p>
<p>Um dos pontos de sustentação dessa parte da narrativa é a prostituta Cassidy, muito bem interpretada por Marisa Tomei. Ela parece ser a única pessoa que tenha algum tipo de interesse além do lutador e do mito que ele traz consigo. E é interessante perceber como a história dos dois também se confunde, isto é, ambos estão velhos, na bancarrota e precisam mudar de rumo antes que algo pior aconteça. É justamente por isso, aliás, que o conflito existe. Tomei faz uma Cassidy segura, que só titubeia no momento certo. A química dela com Rourke é impecável, rendendo cenas belíssimas e profundas em seu tom dramático.</p>
<p>Nessa mesma linha está o outro ponto de sustentação que pode levar Randy a um outro patamar de vida. Embora distante da filha emocionalmente, o lutador vê na aposentadoria uma oportunidade de reconciliação com ela, fato que rende um das cenas mais emocionantes do longa, quando os dois estão conversando na praia e um simples gesto dela resume a cena e a nova relação dois dois. Aronofsky é sutil também em diversas outras cenas, conseguindo tirar de gestos, atitudes e imagens banais, grandes acontecimentos ou encaminhamentos para a história – perceba na cena em que Randy acorda de uma noitada e vê a foto da filha na geladeira; o simples olhar dele entrega o que aconteceu e o que acontecerá nos próximos minutos.</p>
<p>Com uma trama simples e objetiva, “O Lutador” mostra aos espectadores um homem ciente das suas limitações, mas que não pretende fugir ao seu destino inexorável, muito embora o esse destino faça com que ele tenha que tentar. Ao término da projeção, mesmo com o final seco, é possível imaginar o sofrimento e a felicidade de Randy ao tomar sua decisão final.</p>
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		<title>Crítica &#8211; Vicky Cristina Barcelona (2008)</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 20:31:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[direção: Woody Allen elenco: Rebeca Hall, Javier Bardem, Scarlet Johansson e Penélope Cruz país: EUA/Espanha gênero: comédia ano: 2008 título original: Leonera Esse talvez seja o melhor filme de Woody...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.jafilmes.com/site_2008/filmes/filmes_v/vicky_cristina_barcelona/fotos_vicky_cristina_barcelona/vicky-cristina-barcelona-poster01.jpg" alt="" width="167" height="233" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota08.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-75" title="nota08" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota08.jpg" alt="nota08" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Woody Allen<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: Rebeca Hall, Javier Bardem, Scarlet Johansson e Penélope Cruz<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: EUA/Espanha<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: comédia<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 2008<br />
<span style="text-decoration: underline;">título original</span>: Leonera</h3>
<p>Esse talvez seja o melhor filme de Woody Allen nos últimos anos, ganhando fácil de “Match Point”, “Scoop” e “Sonho de Cassandra”. Em Vicky Cristina Barcelona, o diretor usa o humor pra tratar do tema mais clichê e discutido por todos nós: o amor.</p>
<p>O filme conta a história das duas personagens do título, Vicky (Rebeca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), amigas e americanas que estão de passagem por Barcelona, uma por trabalho e a outro para fazer companhia. Lá elas encontram um pitoresco artista plástico, Juan Antonio (Javier Bardem), que vai lhes levar a cometer atitudes antes impensadas, mesmo que para isso elas precisem passar por cima dos próprios princípios ou de medos.</p>
<p>Não pense que com isso o filme torna-se chato e com discussões existencialistas. Muito pelo contrário, Allen é mestre em tirar desses temas densos doses de humor inteligentíssimas. É dessa forma que ele nos apresenta as duas personagens principais, diferenciando-as logo no início da projeção, inclusive reforçando essa idéia dividindo a tela em duas.</p>
<p>Com o passar do tempo, o diretor vai brincando com todos os personagens e com suas distintas visões do amor. Se uma delas é conservadora, a outra é mais impulsiva. Se um dos homens é “caxias”, o outro é amargurado por desilusões. E a partir daí Allen vai analisando diversos pontos, como traição, afeto, paixão, companheirismo, monogamia, rotina de casamento, etc.</p>
<p>E a confusão de idéias, sentimentos e paixões é intensa: Vicky fica com Juan Antonio, que é apaixonado por Cristina, mas ainda nutre amor por Maria Elena (Penélope Cruz), que é louca e romântica ao extremo&#8230; E ainda tem o noivo de Vicky que fica nos EUA ligando pra ela o tempo todo, a tia da própria que se cansa do casamento de anos&#8230; Tudo isso pontuado por cenas dirigidas com brilhantismo, sempre utilizando o humor na medida certa. As tiradas inteligentes estão por toda parte e, quando o espectador sente falta do baixinho atrapalhado que se mete em tudo, o narrador vem e nos brinda com conclusões e comentários certeiros.</p>
<p>É interessante também a sátira que Allen faz do modo de vida americano X modo de vida europeu, além de brincar com a idéia do “casal moderno”. Primeiro, ele romantiza a vida em Barcelona, inclusive só utilizando cenários belíssimos da cidade espanhola. Lá, o ideal de homem é bonito, charmoso e artista. Sempre inspirador e inspirado com a vida à sua volta, Bardem incorpora perfeitamente esse estereótipo em Juan Antonio. Já o americano é o estressado, fútil e infantil, que só pensa em dinheiro e na nova casa que vai comprar. Claro, no meio disso tudo o diretor coloca também uma discussão interessante sobre as novas formas de amor, muito além do homossexualismo. Trata do “casal” que se sente feliz vivendo à três para, depois de várias lições, desconstruir tudo e voltar ao que era antes. Aliás, as cenas de Scarlet Johanson, Penélope Cruz e Bardem são hilariantes, com especial destaque para os dois últimos.</p>
<p>A temática é forte, mas Woody Allen consegue conduzir com leveza e humor, mas sem nunca deixar de lado reflexões importantes. Deve ser por isso que, em certo momento no início do filme, um personagem ironiza um filme protagonizado pela própria Cristina nos EUA: “Você fez um filme sobre o amor em 12 minutos? Um tema tão grande pra um filme tão pequeno”. É Allen satirizando a si próprio.</p>
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		<title>Crítica &#8211; Leonera (2008)</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 20:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cinema argentino]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de filme]]></category>
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		<description><![CDATA[direção: Pablo Trapero elenco: Martina Gusman, Eli Medeiros, Rodrigo Santoro país: Argentina gênero: drama ano: 2008 título original: Leonera Quem foi ver Rodrigo Santoro acabou se encantando com Julia (Martina...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.adorocinema.com.br/filmes/leonera/leonera-poster01.jpg" alt="" width="136" height="195" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota08.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-75" title="nota08" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota08.jpg" alt="nota08" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Pablo Trapero<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: Martina Gusman, Eli Medeiros, Rodrigo Santoro<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: Argentina<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: drama<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 2008<br />
<span style="text-decoration: underline;">título original</span>: Leonera</h3>
<p>Quem foi ver Rodrigo Santoro acabou se encantando com Julia (Martina Gusmán) e o pequeno Tomás. A história desses dois, aliás, é o fio de conduta de todo o filme, muito embora peque por abandonar outras histórias paralelas e privilegie demasiadamente as mães do presídio argentino. Mas, se tem essa adversidade, o diretor Pablo Trapero acerta ao mostrar como um filho pode mudar completamente a vida de uma mulher na busca por redenção.</p>
<p>Leonera conta a história de Julia, estudante universitária que se envolve com Nahuel. Ela acorda ensangüentada e vê que ele e um outro rapaz, Ramiro (Rodrigo Santoro), estão desacordados no chão do seu apartamento. Nahuel está morto. A partir daí, acusada do crime e grávida de poucos meses, Julia passa a viver na prisão à espera de julgamento, e é lá que ela encontra afeto e forças para criar seu filho. Este, aliás, cresce por lá mesmo até completar quatro anos, quando tem de ser levado ou para um familiar ou para adoção.</p>
<p>Com cenas iniciais fortes, o diretor Pablo Trapero aposta primordialmente em planos fechados e com poucos diálogos, numa tentativa de aflorar no espectador uma aproximação afetiva com a personagem Julia. Deve ser por isso que sabemos pouco sobre a relação dela com sua família, em especial a mãe e o pai. Martina é, então, a grande revelação do filme, com uma atuação segura e conseguindo ponderar os momentos de introspecção e dramaticidade exagerada que em certos momentos a história exige.</p>
<p>Vemos em grande parte do filme Julia e suas colegas de presídio tentando sobreviver a uma vida de privações juntamente com seus filhos. E elas lutam e criam suas ninhadas de maneira bastante digna, com suas regras e estatutos próprios. O que é interessante (e estranho, confesso) ver é a relação lésbica que existe entre as detentas. E tudo acontece livremente, mesmo na frente das crianças. E mais: fumar na frente dos pequenos não pode, mas se beijar e se acariciar é coisa livre.</p>
<p>Essas relações é que ligam boa parte do filme, mas não é só isso. Rodrigo Santoro faz Ramiro, um dos lados homossexuais da relação tripla de Julia. No desenrolar da história, vemos que o caso da morte fica em aberto, já que somente no final descobriremos quem matou Nahuel, mesmo que fique uma dúvida no ar. Antes, em suas poucas cenas, Santoro é competente ao conduzir seu personagem com leveza e simplicidade, fazendo um bom bate-bola com Martina.</p>
<p>O ponto negativo fica pela exarcebação de cenas descartáveis dentro do presídio. Talvez por querer mostrar detalhadamente como funciona o sistema carcerário feminino, Trapero se atém a detalhes pouco relevantes, o que rouba minutos preciosos da projeção, que bem poderiam ser usados para aumentar as cenas de Ramiro e Julia e dela com sua mãe. Aliás, preste atenção na relação das duas que, mesmo ficando no ar, revela muita coisa da personalidade de Julia. E não só a mãe: note que, em contraponto aos conflitos mãe e filha, a jovem parece nutrir afeto pelo pai – fato revelado num detalhe no início da projeção e no nome do menino, o mesmo do avô.</p>
<p>E se vemos uma mãe batalhadora e incapaz de deixar seu filho um minuto sequer, acompanhamos com afeto também a trajetória não só dela, mas de outras mães que cometeram crimes, mas em momento algum fugiram à sua condição de mãe. Talvez aí esteja a explicação do nome Leonera, “prisão de leoas” em espanhol.</p>
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		<title>Crítica &#8211; Synedoque Nova York</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 20:10:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[charlie kauffman]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de filme]]></category>
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		<description><![CDATA[direção: Charlie Kauffman elenco: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Samantha Morton e Hope Davis país: EUA gênero: drama ano: 2008 título original: Synedoche New York A sensação que o espectador...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.collider.com/uploads/imageGallery/Synecdoche_New_York/synecdoche__new_york_movie_poster_onesheet.jpg" alt="" width="145" height="214" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota06.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-68" title="nota06" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota06.jpg" alt="nota06" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Charlie Kauffman<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Samantha Morton e Hope Davis<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: EUA<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: drama<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 2008<br />
<span style="text-decoration: underline;">título original</span>: Synedoche New York</h3>
<p>A sensação que o espectador tem ao acabar “Synedoche, NY” é de exaustão &#8211; para o bem e para o mal. E não é pra menos: ao longo de 2h de projeção, Kauffman, em sua estréia como diretor, abre seu mais aterrorizante e confuso baú de memórias e conflitos existenciais, dando vazão a tudo isso da maneira mais caótica possível.</p>
<p>O filme acompanha a trajetória de Caden Cotard (Phlipe Seymor-Hoffman), atordoado diretor de teatro que vive às turras com sua própria consciência e vontades explícitas. Ao ver seu casamento terminado e afastado do convívio com a própria filha, Caden reuni um elenco grandioso pra realizar uma peça de teatro inusitada: contar sua própria vida.</p>
<p>Essa temática já é corriqueira na carreira de Kaffman (vide o excelente “Adaptação), mas dessa vez ele exagerou. A impressão que fica é que, como dessa vez ele também dirige o filme, não houve freio para suas inquietudes e maluquices, o que acaba comprometendo parte da obra. Kauffman é louco e tem uma visão de mundo fragmentada, e isso todos que acompanham suas histórias já conhecem, porém, dessa vez ele vai mais longe e afunda na sua própria consciência. É como se Caden fosse ele próprio na busca incessante pela perfeição estética e idealizada da vida.</p>
<p>Para realizar tudo isso, não faltam personagens e reviravoltas. Imagine dois espelhos voltados um contra o outro. Assim é Synedoche, com suas sucessões de diálogos fortes e personagens que se confundem entre si. Caden, a princípio, apaixona-se por Hazel (Samantha Morton), mas é casada com Adele (Catherine Keener). Quando o relacionamento acaba, ele volta seus olhos para a frágil Hazel, mas tudo acaba de uma maneira inesperada. Mesmo assim, os dois ainda voltam mais tarde, muito embora Caden no momento esteja ligado a Claire, atriz da companhia. Confuso? Não! Isso é pouco perto da confluência e relações complexas que cada um tem entre si.</p>
<p>É engraçado que, afora essas loucuras e viagens, Kauffman parece estabelecer grandes relações entre outras obras, seja de cinema ou literatura e teatro. E há muitas significações escondidas em cada cena, em cada diálogo e em cada movimento de câmera, o que reforça ainda mais a tese de que ele precisa de um freio. Este seria necessário, aliás, para dar mais fluidez à história, que em muitas passagens fica monótona. Em “Synedoche”, Kauffman não consegue produzir soluções visuais inteligentes para passagem espaço-temporal, como acontece em “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, roterizado pelo próprio e dirigido por Michel Gondry.</p>
<p>Talvez somente assistindo mais de uma vez para entender completamente o que se passa na cabeça de Charlie Kauffman, o gênio por trás de tanto existencialismo. Ou então, seria a hipótese mais razoável, ele precise ficar mais concentrado no roteiro e confiar na mão de outro diretor.</p>
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		<title>Crítica &#8211; Sim, Senhor</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 19:45:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[crítica de filme]]></category>
		<category><![CDATA[filmes]]></category>
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		<description><![CDATA[direção: Peyton Reed elenco: Jim Carey, Zoey Deschanel, Bradley Cooper país: EUA gênero: comédia ano: 2008 título original: Yes Man Quando a comédia “Sim, Senhor” estreou, Jim Carey mais uma...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.adorocinema.com/filmes/sim-senhor/sim-senhor-poster01.jpg" alt="" width="147" height="217" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota06.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-68" title="nota06" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota06.jpg" alt="nota06" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Peyton Reed<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: Jim Carey, Zoey Deschanel, Bradley Cooper<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: EUA<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: comédia<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 2008<br />
<span style="text-decoration: underline;">título original</span>: Yes Man</h3>
<p>Quando a comédia “Sim, Senhor” estreou, Jim Carey mais uma vez foi acusado de repetição e de ser muito caracto em seu personagem – embora essa seja uma prática comum entre comediantes. Porém, de um outro lado, muita gente elogiou e gostou bastante do tema que é o pano de fundo para Carey fazer das suas. E “Sim, Senhor” é assim: ou você ama ou você odeia desde os primeiros minutos.</p>
<p>A história segue Carl (Jim Carey), um homem que realiza trabalho burocrático num banco que vê sua vida mudar ao adotar a teoria do “sim”, ou seja, dizer “sim” a tudo a e a todos. Esse novo estilo de vida, obviamente, leva Carl a situações que ele nunca imaginou viver na vida.</p>
<p>Afora paixões de ambas as partes, “Sim, Senhor” é um tipo de longa que Jim Carey já vem flertando a algum tempo. No seu último trabalho, o ator contracenou ao lado de Tea Leoni no ótimo “As Loucuras de Dick and Jane”, uma comédia que usava como pano de fundo a história verídica da quebra de algumas empresas americanas do ramo da comunicação e tecnologia no final dos anos 90. Todas conseqüências sociais daquele fato foram satirizadas de forma inteligente e, anos depois, Carey volta a interpretar um personagem que tem como pano de fundo uma história verdadeira: os gurus da auto-ajuda e suas teorias fantásticas.</p>
<p>Essa aproximação da realidade denota uma preocupação do roteiro em tratar de um assunto comum a todos. Quem nunca foi importunado por e-mails, cartas, livros, telefonemas, amigos, etc., falando sobre uma nova maneira de melhorar de vida? E esse é o mote do filme. Com um roteiro bem construído, somos apresentados a um Carl isolado, solitário e de mau humor com tudo que o cerca. Quando encontra a essa nova teoria do “sim”, ele parece aceitar a oferta de conhecer mais a fundo a ideologia somente para poder zombar dela posteriormente, como faz com muitas coisas em sua vida. Mas não é o que acontece.</p>
<p>A partir daí, o roteiro abusa um pouco de diversas situações feitas claramente para explorar o talento de Jim Carey, o tipo de astro de comédia que em todas as cenas rouba os holofotes apenas para si. E não é difícil entender isso. Nas cenas em que vê a nova teoria dando certo na prática, Carey não poupa caretas e pequenas gags extremamente criativas, e outras nem tanto. No saldo final, algumas ótimas saídas cômicas (para quem conhece mais a fundo o ator, sabe do poder de improvisação que ele tem em cena. Não me surpreenderia se metade das cenas foi fruto de pura inventividade do comediante) e outras nem tanto. Repito: em alguns momentos ele parece repetir um modelo que o consagrou na década passada e que muita gente já não engole mais.</p>
<p>Mesmo tendo um astro no elenco, o resto das piadas deixa bastante a desejar. O roteiro inclui algumas das piadas já consagradas, aquelas do tipo que, aconteça o que acontecer, vai gerar riso por parte da platéia: sexo na terceira idade, quedas, tropeções e insanidade. Porém, a relação de Carl e Alisson (a ótima Zoey Deschanel) parece funcionar bem, sempre prontos a realizar loucuras bem dosadas e cenas sem nenhum constrangimento. Peyton Reed conduz as cenas de forma correta, não abusando de cores nem nenhum outro tipo de estilismo narrativo.</p>
<p>Ao final do filme, a história não poderia deixar de alfinetar as teorias fantásticas de bem estar e auto-ajuda que pipocam a cada esquina. Talvez faltando explorar um pouco mais esse assunto, “Sim, Senhor” se escora no talento de Carey para mais uma comédia engraçada, mas com prazo de validade curto.</p>
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		<title>Crítica &#8211; O Leitor</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 19:06:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[direção: Stephen Daltry elenco: David Kross, Kate Winslet e Ralph Fiennes país: EUA e Alemanha gênero: drama ano: 2008 título original: The Reader Dono de uma carreira sólida e de...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.adorocinema.com/filmes/leitor/leitor-poster01t.jpg" alt="" width="113" height="165" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cafecompop.com/rodrigo/wp-content/uploads/2009/03/nota07.jpg"><img class="size-full wp-image-64 aligncenter" title="nota07" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota07.jpg" alt="nota07" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Stephen Daltry<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: David Kross, Kate Winslet e Ralph Fiennes<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: EUA e Alemanha<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: drama<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 2008<br />
<span style="text-decoration: underline;">título original</span>: The Reader</h3>
<p>Dono de uma carreira sólida e de poucos filmes, o diretor Stephen Daltry mergulha na nova onda de filmes sobre o nazismo, apresentando o lado mais humano e passivo de protagonistas dessa triste página da história alemã e mundial. Em “O Leitor”, somos apresentados não só a um lado diferente dos alemães, mas também a uma história de amor que se confunde entre sexo, descoberta e culpa.</p>
<p>A história é contada a partir do ponto de vista de Michael Berg (David Kross), garoto de 15 anos que conhece Hanah Schmitz (Kate Winslet), anos mais velha, e passa a ter uma intensa relação amorosa. O romance, que durou apenas um verão, volta à tona anos depois, quando Berg já é um estudante de direito acompanhando um caso envolvendo mortes e holocasto, que vai pôr em cheque seu amor por Hanah e suas decisões que podem implicar no caso.</p>
<p>Adotando inicialmente como pontos centrais da narrativa o romance entre Berg e Hanah, o longa deixa de lado qualquer juízo de valor sobre o assunto e tende a se afastar do passado da personagem de Winslet e da relação de Berg com sua família. O público é imerso na quase infantil relação entre eles, dois personagens ávidos por sexo, porém com objetivos distintos. Enquanto Winslet dá um ar misterioso e concentrado a sua personagem – que parece buscar o sexo como fonte de escape de algo relacionado a sua vida solitária ou passado -, o garoto descobre o amor aos poucos, confundindo sexo com o próprio sentimento. Atitude essa nada anormal, já que ele tem apenas 15 anos e é guiado apenas pelos instintos e hormônios aflorados, típicos da idade. O romance, então, engrena e segue com alguns conflitos, mas que sempre terminam na cama.</p>
<p>A relação dos dois torna-se peculiar quando Hanah condiciona o sexo à leitura, por parte dele, de romances e histórias em quadrinhos. Ela parece sentir tanto prazer ouvindo Berg lendo, quanto fazendo sexo com ele. Essa dinâmica, contudo, demonstra a necessidade materna da personagem de Winslet que mais uma vez demonstra ser uma das melhores atrizes de sua geração. Uma cena que exemplifica bem o tom maternal dela é quando ela ensina o jovem como deve proceder em determinada posição sexual, de um tom quase didático. Além, claro, da maneira carinhosa e em certos momentos diminutiva que ela chama o amado, poucas vezes pronunciando seu nome e quase sempre o chamando de “garoto”.</p>
<p>Daltry adota uma direção contida, mas abusa da utilização da trilha sonora e na glamorização de algumas cenas de sexo, quando na verdade nada de espetacular tem ali. Na segunda parte do filme, o diretor segue firme, mas é prejudicado pelo roteiro, que dá excessiva atenção ao romance e peca ao não desenvolver a narrativa dentro do caso jurídico apresentado – quando Berg já é um estudante de direito e reencontra a amada anos depois. Esse caso, aliás, é que dá o teor diferencial ao filme, ou seja, a história nunca foi contada e parece ter diversas implicações, mas o roteirista David Hare gasta muito tempo estabelecendo a relação entre os dois amantes. Quando o filme chega ao fim, percebemos que muita coisa ficou no ar e a discussão que o longa levanta é deixada de lado para que o arco dramático dos dois protagonistas se feche perfeitamente.</p>
<p>Embora um pouco deslocado, Ralph Fienes faz de seu Michael Berg (em um outro momento do filme) um homem maduro, centrado e atormentado pela culpa de não ter resolvido seu passado de uma maneira mais “justa”. Antes, Kross também se destaca ao criar um jovem Berg solitário e deslocado do ambiente de sexo e festas da faculdade, preferindo estudar à sair com uma garota.</p>
<p>Prolongando demais o seu fim &#8211; não que o filme seja longo, mas é que a resolução final parece deslocada do restante da engrenagem -, Daltry adota um tom dramático demais ao destino de seus personagens, enfocando mais a culpa de Berg do que de Hanah, embora ambos tenham tido momentos de decisão igualmente difíceis em suas vidas.</p>
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		<title>Crítica &#8211; O Terceiro Homem (1949)</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 18:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[clássicos do cinema]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de filme]]></category>
		<category><![CDATA[film noir]]></category>
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		<description><![CDATA[da série &#8220;Clássicos do cinema&#8221; direção: Carol Reed elenco: Joseph Cotten, Alida Valli, Trevor Howard, Orson Welles país: UK gênero: ação/suspense ano: 1949 título original: The Third Man Tido como...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;">da série &#8220;Clássicos do cinema&#8221;</h3>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="O Terceiro Homem" src="http://gabinetedokas.files.wordpress.com/2008/08/criterion_terceiro_homem_bd.jpg" alt="" width="177" height="249" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p><a href="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota09.jpg"></a><a href="http://www.cafecompop.com/rodrigo/wp-content/uploads/2009/03/nota091.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-59" title="nota091" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota091.jpg" alt="nota091" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Carol Reed<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: Joseph Cotten, Alida Valli, Trevor Howard, Orson Welles<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: UK<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: ação/suspense<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 1949<br />
<span style="text-decoration: underline;">título original</span>: The Third Man</h3>
<p>Tido como um clássico incontestável do gênero noir, “O Terceiro Homem” é mais um filme de suspense do que de ação, embora a cena final do filme já esteja entre as mais espetaculares de todos os tempos no quesito tirar o fôlego. No restante do longa, acompanhamos uma história povoada de tipos misteriosos, reviravoltas e muita intriga entre os personagens, sempre filmada de maneira tecnicamente brilhante.</p>
<p>“O Terceiro Homem” apresenta a história de Holy Martins, um escritor em decadência que chega a Viena para encontrar o amigo Henry Lime, mas se surpreende ao encontrá-lo morto. Em dúvida de que ele realmente morreu num acidente de carro, parte em busca da verdade, interrogando os envolvidos e se envolvendo com a bela Anna Schimdt, ex-namorada do falecido.</p>
<p>A história, contada de maneira simples e direta, é feita para que sempre tenhamos dúvidas do que vem a seguir. Na Viena pós-segunda guerra, a dúvida e a ambiguidade são pontos centrais para entender o envolvimento dos personagens com o próprio ambiente e com o assassinato que move o enredo. Martins, escritor em decadência e sem muitas perspectivas de vida, vê na morte do amigo uma possibilidade de tentar vingá-lo e para isso segue seus instintos e convicções, muito embora não tenhamos, em momento algum, qualquer tipo de certeza sobre quem está certo: se o próprio Martins ou os demais amigos do morto.</p>
<p>Mesmo com essa via dúbia, o roteiro não se mostra confuso, pelo contrário, consegue estabelecer bem todas as relações e reviravoltas que acontecem. Se Martins é um homem agora obstinado, também nutre especial carinho por Ana, ex-namorada de Lime. Os dois estão sempre entre olhares, astutos e sorrateiros e quase sempre em comunhão de opinião, mas há algo que ainda intriga o escritor. Um pouco diferente acontece com os amigos do morto, que Martins desconfia desde o princípio, mas não consegue achar nada de concreto para incriminá-los. Na cartilha do bom suspense, todos sabem, isso não quer dizer nada, e parece que o escritor está sempre à frente e perto de achar o assassino, mas quase sempre se perde nas contradições e rumos diferentes que a história do atropelamento toma a cada versão.</p>
<p>Na tela, Carol Reed faz um trabalho minucioso de construção narrativa. Mergulha de vez no gênero noir ao apresentar os personagens em oposição e quase sempre na dialética claro X escuro. Ele abusa dos cigarros, fumaças, sombras (a qualquer hora do dia os personagens são emergidos em sombras) e luzes difusas, tudo para enfatizar o clima de dúvida e suspense que o filme carrega consigo. A fotografia cuidadosa de Robert Krasker privilegia as lacunas de sombras e escuridão para revelar momentos da história no momento exato em que devem aparecer. Somos, então, brindados com personagens furtivos saindo de sombras e revelando-se à luz da lua, ruas desertas e sombrias, homens de sobretudo cruzando as avenidas e muito jogo de claro X escuro, grande característica do cinema noir.</p>
<p>Se estamos acostumados aos filmes atuais de ação com muita barulheira, tiros, perseguição de carros e reviravoltas sem sentido, “O Terceiro Homem” foge dessa linha ao privilegiar não a ação corrida, mas sim a ação dos próprios personagens, sempre procurando intuir no espectador que aquilo pode nem sempre ser o que parece.</p>
<address>P.S.: eu não comentei a não menos brilhante participação de Orson Welles no filme, porque qualquer coisa que eu fale a mais do que isso pode estragar um dos grandes momentos do longa.</address>
<h3></h3>
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		<title>Crítica &#8211; Verônica (2008)</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 18:14:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Carreiro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cinema nacional]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de filme]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align: center;"><img class="alignnone" title="Verônica" src="http://cinema.instinto.com.br/trailers/wp-content/uploads/2009/02/veronica.jpg" alt="" width="186" height="260" /></h2>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cafecompop.com/rodrigo/wp-content/uploads/2009/03/nota04.jpg"><img class="size-full wp-image-44 aligncenter" title="nota04" src="http://www.cafecompop.com/wp-content/uploads/2009/03/nota04.jpg" alt="nota04" width="310" height="30" /></a></p>
<h3><span style="text-decoration: underline;">direção</span>: Maurício Farias<br />
<span style="text-decoration: underline;">elenco</span>: Andrea Beltrão, Matheus de Sá e Marco Rica<br />
<span style="text-decoration: underline;">país</span>: Brasil<br />
<span style="text-decoration: underline;">gênero</span>: ação/drama<br />
<span style="text-decoration: underline;">ano</span>: 2008</h3>
<p>Adotando o ponto de vista de uma professora primária, “Verônica” apresenta ao espectador uma personagem que, embora bem interpretada por Andréa Beltrão, pouco convence o espectador na busca por um sentido à vida. A direção atrapalhada de Maurício Farias (o mesmo de “A Grande Família”) compromete o resultado, o que piora ainda mais com um roteiro frágil e repetitivo.</p>
<p>Verônica é uma mulher solitária e carente, que vê sua vida mudar ao tentar ajudar o garoto Leandro (Matheus de Sá), que teve os pais mortos por causa do tráfico de drogas. Agora eles fogem da polícia e dos bandidos, que estão atrás de um pen drive em posse do garoto que pode incriminar ambos da lei.</p>
<p>Verônica é uma mulher forte, mas que perde as estribeiras à menor bagunça feita pelos alunos inquietos. Essa parece ser uma das poucas informações da personagem-título, já que em nenhum momento sabemos do passado dela ou dos seus problemas pessoais, afora algumas poucas cenas com os pais e uma ou duas com o ex-marido. Escorregando no clichê da mulher independente e frágil e do homem machista e frio, o longa não estabelece uma relação convincente entre ambos e nem nos apresenta uma continuidade na história que realmente transmita suspense.</p>
<p>O roteiro, aliás, é o ponto mais fraco em “Verônica”. Inicialmente apresenta os personagens de forma simplória e depois o conflito principal. Desse ponto até o desfecho, o filme se repete em todas as cenas. É sempre Verônica e o menino fugindo de alguém e se escondendo na casa de outro alguém, mas em nenhum momento há uma real tensão ou algo que pareça indicar uma mudança no rumo da história. Mesmo as subtramas não emplacam e são mal exploradas – talvez querendo fugir do clichê do filme de morro, o filme não toca no assunto, mesmo ele sendo extremamente importante para que o espectador entenda melhor as motivações de ambos os lados da história.</p>
<p>Matheus de Sá como o menino Lenadro não compromete o filme, mas também não consegue estabelecer uma relação forte com o espectador, nem com a prória personagem de Andréa. Eles só conversam como mãe e filho apenas uma vez em todo o filme, embora ela o chame de filho, ele o chame de mãe e ela passe o filme todo correndo de bandido para proteger o aluno. As cenas de ação são muito artificiais e não convencem em momento algum, mesmo quando o filme chega a seu clímax, numa seqüência óbvia e simplória.</p>
<p>Dois aspectos técnicos chamam a atenção. A trilha sonora, sob direção de Emerson Villani e Branco Melo, suja o filme toda hora que é solicitada, marcando os passos e cenas de ação da maneira mais grosseira possível. Somos sempre avisados, através da trilha, do que vai acontecer, mesmo que a seqüência seja óbvia e o desenrolar previsível. Além disso, a fotografia de José Guerra muda radicalmente em certo momento, justamente na hora que Verônica descobre o que aconteceu com os pais do menino, adotando uma granulação excessiva somente para enfatizar uma tragédia que por si só já é bastante densa.</p>
<p>Embora tenha um argumento interessante e pouco explorado, o diretor Maurício Farias e equipe bateram de frente com alguns clichês e uma infinidade de erros no roteiro. Isso se torna ainda mais latente na última cena do longa, em que uma narração de Verônica surge na tela para dar o desfecho (como se ninguém tivesse percebido) e uma irritante “moral da história” para o filme.</p>
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