Crítica de Filme – Exterminador do Futuro: Salvação (2009)

direção: McG
elenco: Cristian Bale, Sam Worthington, Anton Yelchin
país: EUA
gênero: ficção científica
ano: 2009
título original: Terminator Salvation
Dirigido por um diretor, McG, avesso a qualquer desenvolvimento de personagem e adepto fervoroso da edição “um-corte-por-segundo”, “Exterminador do Futuro – A Salvação” decepcionou aquele que esperavam o velho ‘Mc’. Apesar de algumas falhas, McG consegue dar um novo fôlego à serie que já vinha no limbo, dessa vez conseguindo criar boas cenas de ação e um bom envolvimento narrativo.
“Exterminador do Futuro – A Salvação” retoma a história de John Connor (Cristian Bale), soldado da resistência humana contra as máquinas que dominam o mundo em 2018. Num cenário apocalíptico, John lidera um “exército” de homens em busca de salvação, mas vão enfrentar novos desafios e contar com a ajuda de novos personagens, como Marcus Wright (Sam Worthington).
As primeiras cenas do filme não deixam dúvidas de como será o restante da projeção: muito confronto, explosões e uma eterna luta homem x máquina. O tema, ainda bem, não é abandonado, pois ele é o principal motivo da existência da série, quando lá pelos idos de 1984 James Cameron dirigiu o primeiro filme dos quatro. Se essa temática perpassa todos os filmes, dessa vez o roteiro de “Salvação” dá uma boa guinada na narrativa da história: se nos outros longas a lógica da perseguição e salvação de dois personagens (John e sua mãe Sarah Connor) era dominante, aqui a tentativa da destruição total das máquinas é que dá as cartas do jogo. E mais: o protagonista é John, o que não acontece em nenhum dos outros filmes. Claro, esse protagonismo é dividido com Marcus, um misterioso homem que surge em meio à uma batalha e que passa a perseguir seu passado (uma versão atualizada de Jason Bourne ou Wolverine).
Por si só, essa lógica já dá um novo fôlego à série, que vem de uma desastrosa terceira parte, em que só se viu correria e nada de história. Em “Salvação”, Connor se agarra a uma nova perspectiva de aniquilação das máquinas, uma descoberta que pode arruinar de vez com a raça humana, mas que também pode dá sobrevida aos homens. Nesse contexto esperançoso, Bale se entrega de maneira tímida ao personagem, embora no frigi dos ovos ele consiga uma boa atuação – mesmo assim, Batman o deixou com a voz eternamente rouca? Está excessivamente sério (que não pode ser confundido com inteligência e concentração), mas consegue dar certo tom dramático que o papel exige em alguns momentos. A relação dele com Kate é que é falha, já que ela é mais parecida com uma porta do que com um ser humano cheio de sentimentos.
O filme ainda consegue boas cenas de ação, num raro momento na carreira do péssimo McG, que dessa vez cria a tensão necessária na maioria das cenas. Consegue também criar momentos em que não corta o take a cada 1 segundo, mostrando que consegue criar cenas impactantes com um pouco de criatividade. A história, porém, peca quando cria muitos tipos de máquinas e robôs gigantes; há praticamente um tipo de máquina para cada situação que possam enfrentar em batalha, desde motos superinteligentes, até mega estruturas de metal que mais parecem um dos Transformers. Essa é uma forçada de barra do longa, assim como alguns furos no roteiro que foram deixados para que a história criada se complete com as anteriores. Não custava nada mais um esforço da turma do roteiro.
Mas, num plano geral, a história acerta ao nos transportar para um cenário novo e completamente destruído, onde vemos homens escondidos como ratos na busca por salvação – e nesse ponto a equipe é competente ao criar boas situações de sobrevivência e cenários bem feitos e esteticamente impecáveis. A condução da história, como é de praxe em filmes do gênero, nos leva a crer em uma coisa, quando na verdade veremos que é outra completamente diferente. Esse ponto é importantíssimo: a surpresa é definitivamente uma surpresa, que impacta diretamente em diversos questionamentos que já tinham sido discutidos nos filmes anteriores, principalmente no segundo (o melhor de todos, diga-se de passagem).
Se a estrutura rende bem e certos aspectos há um exagero, inclusive na conclusão final infantil e boba, o público sai satisfeito por acompanhar uma história nova, porém dentro de um contexto já conhecido. E é bastante interessante conseguir acompanhar as diversas referências que há aos antigos filmes, que não estão latentes, mas criam uma colcha de retalhos sutil e saborosa.
P.S. SPOILER SPOILER SPOILER
A aparição de Arnold Schwarzenegger é pífia e beira o ridículo. Tudo bem, não é ele, mas a representação é. Essa referência era melhor não ter entrado.
Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.













