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’21st Century Breakdown’, Green Day – a queda da banda que se levou a sério demais

16, junho, 2009 admin 27 comentários

Tudo bem que o Green Day nunca foi o primor da musicalidade rock ‘n roll. Eles sempre foram abusados e despretensiosos, talvez duas boas e grandes características que deviam ser glorificadas no rock, mas notadamente no punk. E assim foi o Green Day em boa parte de sua carreira, mas parece que de cinco anos para cá, a banda caiu num erro cada vez mais freqüente no rock: se levou a sério demais.

“Levar-se a sério é coisa ruim?” Sim, é uma coisa péssima para uma banda de rock ‘n roll. Não podemos, no entanto, confundir isso com “lesera” ou idiotice musical, não, é muito diferente disso tudo. O fato é que, quando uma banda vem numa ótima toada, tocando para multidões e criando uma casta de fãs cada vez maior, o sucesso pode muito bem subir para a cabeça. E aí o grupo pode simplesmente degringolar de vez, despirocar e tentar virar ermitões com medo dos paparazzi, ou então pensar que realmente é a última maravilha do mundo. E aí mora o problema.

“American Idiot”, disco de 2004, revelou um Green Day mais maduro, o que por si só não é ruim, afinal, ninguém é Peter Pan. A música de abertura do disco, mesmo tendo uma letra idiota e juvenil, apresentava uma banda como nos velhos tempos: rock direto, riff pegajoso e refrão matador. Porém, a seqüência do disco e o enlace criado em cada música levou a crer que a banda tinha verdadeiramente entrado numa de “somos os novos The Who”. E esse é um erro gravíssimo. As músicas do disco eram ditas “interligadas entre si”, formando um ópera rock sobre a América e novos valores sociais e políticos dos americanos. Um tema um tanto antropológico e sociológico demais, que talvez devesse ser relegado aos bancos de Yale ou Harvard. Mas não. O Green Day achou realmente que tinha a capacidade de criar um disco conciso que discutisse essas questões e ao mesmo tempo conseguisse ser rock ‘n roll. Pretensão demais.

nota04

Mesmo assim, a banda continuou fazendo sucesso. As músicas individualmente emplacaram e o Green Day passou a um outro patamar do rock, sendo erroneamente (mas eu até entendo) confundida com a crescente onda Emo. Para surpresa de todos (será mesmo?), em 2009 Billie Joe Amstrong, Tre Cool e Mike Dirnt voltaram à cena com um novo disco intitulado “21st Century Breakdown”, novamente voltado para a temática do disco anterior. E no mesmo formato, tentando copiar o sucesso de discos antológicos como “Tommy”, do The Who. Nesse novo lançamento, a banda repete velhas fórmulas e requenta sucessos antigos, só que dessa vez sem o frescor juvenil de outrora. Parece mais um espelho de si mesmo, só que refletindo uma imagem e um tempo que não volta jamais. Repare na loucura do disco: “21st Century Breakdown é dividido em três atos (’Heroes and Cons’, ‘Charlatans and Saints’ e ‘Horseshoes and Handgrenades’) e conta a história de dois jovens, Cristian e Gloria, que se vêm em meio à nova América, tirando disso tudo conclusões filosóficas e sociais.

Assim é o “21st Century Breakdown”, um disco que se levou a sério demais, pretende ser muito mais do que a própria banda realmente é (hello, Coldplay, enfim encontraram um parceiro). Um tiro no espaço que está fazendo sucesso principalmente com a garotada Emo, embora o novo som do Green Day não seja Emo. Mas é curioso: Billie Joe é quase um Gerard Way, vocalista do My Chemical Romance, de olhos esbugalhados cheios de lápis e roupas coladas no corpo. Um arremedo de punk, muito diferente daquele jovem de cabelos multi-coloridos que um dia compôs “Basket Case”, “Logview”, “Geek Steek Breath”, “Comming Clean” e tantos outros hinos da juventude dos anos 90. Onde estará essa juventude agora?

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