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Crítica de Filme – Quincas Berro D´Água (2010)

4, junho, 2010 admin 5 comentários

nota08

direção: Sergio Machado
elenco: Paulo José, Mariana Ximenes, Flavio Bauraqui, Irandhir Santos, Luis Miranda
país: Brasil
gênero: comédia
ano: 2010

Transpor obras literárias para o cinema não é simples e há sempre a idéia de que muita coisa ficou para trás. Fazer isso com um livro de Jorge Amado é, talvez, ainda mais difícil, pois ele traz peculiaridades bem baianas e pertencentes à literatura sua única. Mas é em Quincas Berro D´Água que essa lógica é subvertida.

O filme é uma adaptação do seminal “A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água”, que traz a história contada pelo defunto Quincas (Paulo José), rei da boemia e sacanagem baiana na década de 50 e que morre bem no dia de seu aniversário. A trama envolve muita confusão entre amigos, parentes e mulheres apaixonadas.

Jorge Amado é aclamado mundialmente, representante de uma cultura única baiana e de tradição que perdura até hoje. Muitas de suas obras viraram seriados, novelas e filmes e isso se deve ao estilo novelístico do autor (uma fase de sua carreira, obviamente. Sua obra é extensa e cheia de fases e nuances): Gabriela, Cravo e Canela, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Mar Morto, Terra Sem Fim, Capitães de Areia (que já virou filme e será lançado em breve) etc etc. O livro em questão é uma ode à picardia e um tapa na cara do status quo que conhecemos como vida bem sucedida: emprego, casa, mulher e filhos. E para viver esse personagem ninguém melhor que Paulo José.

O autor dá a seu personagem uma autenticidade impressionante. Se formos levar em consideração que ele passa a maior parte do tempo morto, o resultado conseguido por Paulo e o diretor Sergio Machado é mais incrível ainda. Quincas é um boêmio diferente: chutou o pau da barraca já velho e trocou a vida pacata da cidade alta pela putaria das ruas do Pelourinho. Vive bebendo, jogando e correndo atrás das mulheres fáceis. Faz tudo isso acompanhado de sua turma: Pastinha, Pé de Vento, Cabo Martim e Curió. São eles, aliás, o grande ponto cômico da trama. Claro, a própria situação do roteiro é surreal, mas os quatro amigos estão quase impecáveis em seus personagens, cada um com uma característica diferente e, até por isso, formam um mosaico interessante.

O realismo fantástico de Jorge se materializa nas ruas de Salvador. Nesse ponto, Sergio Machado é irreparável: como bom baiano, foge dos estereótipos fáceis, sotaques exagerados e atitudes sem sentido (sim, tudo de ruim de “Ó Paí Ó”, um desastre da recente cinematografia brasileira). Machado segue a lógica Amadiana e foca sua lente na inventividade dos pobres, na ginga do povo. E faz tudo isso com muito bom humor. As cenas trazem um humor afiado, exagerado quando é para ser, e comedido e certeiro na maioria das vezes. O quarteto de amigos faz de tudo: sobe e desce ladeira, briga, bebe, come, faz algazarra, é preso, dança e corre a cidade toda. E, claro, tudo acompanhado do morto.

A condução da história segue a lógica comentada acima, mas é acrescida pela conturbada relação entre Quincas e sua filha, Vanda (Mariana Ximenes). Infelizmente a atriz não segue o bonde de boas atuações do restante do elenco, mas não chega a comprometer. O mais importante, no entanto, é que o filme se encerra exatamente como deveria ser: fiel ao mestre Jorge Amado. Se você já leu obras como “Gabriela, Cravo e Canela” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, vai entender perfeitamente. A herança de Quincas é o que Vanda leva para o restante de sua vida, nada material, mas sim seu principal ensinamento – que você verá, obviamente, quando assistir ao filme.

Transpor obras literárias para o cinema não é simples e há sempre a idéia de que muita coisa ficou para trás. Fazer isso com um livro de Jorge Amado é, talvez, ainda mais difícil, pois ele traz peculiaridades bem baianas e pertencentes à literatura sua única. Mas é em Quincas Berro D´Água que essa lógica é subvertida.
O filme é uma adaptação do seminal “A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água”, que traz a história contada pelo defunto Quincas (Paulo José), rei da boemia e sacanagem baiana na década de 50 e que morre bem no dia de seu aniversário. A trama envolve muita confusão entre amigos, parentes e mulheres apaixonadas.
Jorge Amado é aclamado mundialmente, representante de uma cultura única baiana e de tradição que perdura até hoje. Muitas de suas obras viraram seriados, novelas e filmes e isso se deve ao estilo novelístico do autor (uma fase de sua carreira, obviamente. Sua obra é extensa e cheia de fases e nuances): Gabriela, Cravo e Canela, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Mar Morto, Terra Sem Fim, Capitães de Areia (que já virou filme e será lançado em breve) etc etc. O livro em questão é uma ode à picardia e um tapa na cara do status quo que conhecemos como vida bem sucedida: emprego, casa, mulher e filhos. E para viver esse personagem ninguém melhor que Paulo José.
O autor dá a seu personagem uma autenticidade impressionante. Se formos levar em consideração que ele passa a maior parte do tempo morto, o resultado conseguido por Paulo e o diretor Sergio Machado é mais incrível ainda. Quincas é um boêmio diferente: chutou o pau da barraca já velho e trocou a vida pacata da cidade alta pela putaria das ruas do Pelourinho. Vive bebendo, jogando e correndo atrás das mulheres fáceis. Faz tudo isso acompanhado de sua turma: Pastinha, Pé de Vento, Cabo Martim e Curió. São eles, aliás, o grande ponto cômico da trama. Claro, a própria situação do roteiro é surreal, mas os quatro amigos estão quase impecáveis em seus personagens, cada um com uma característica diferente e, até por isso, formam um mosaico interessante.
O realismo fantástico de Jorge se materializa nas ruas de Salvador. Nesse ponto, Sergio Machado é irreparável: como bom baiano, foge dos estereótipos fáceis, sotaques exagerados e atitudes sem sentido (sim, tudo de ruim de “Ó Paí Ó”, um desastre da recente cinematografia brasileira). Machado segue a lógica Amadiana e foca sua lente na inventividade dos pobres, na ginga do povo. E faz tudo isso com muito bom humor. As cenas trazem um humor afiado, exagerado quando é para ser, e comedido e certeiro na maioria das vezes. O quarteto de amigos faz de tudo: sobe e desce ladeira, briga, bebe, come, faz algazarra, é preso, dança e corre a cidade toda. E, claro, tudo acompanhado do morto.
A condução da história segue a lógica comentada acima, mas é acrescida pela conturbada relação entre Quincas e sua filha, Vanda (Mariana Ximenes). Infelizmente a atriz não segue o bonde de boas atuações do restante do elenco, mas não chega a comprometer. O mais importante, no entanto, é que o filme se encerra exatamente como deveria ser: fiel ao mestre Jorge Amado. Se você já leu obras como “Gabriela, Cravo e Canela” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, vai entender perfeitamente. A herança de Quincas é o que Vanda leva para o restante de sua vida, nada material, mas sim seu principal ensinamento – que você verá, obviamente, quando assistir ao fi

… E o cinema baiano, como vai?

3, fevereiro, 2010 admin 2 comentários

Estimulado a falar sobre o cinema baiano pela Revista Bravo!, que lançou um especial sobre a cultura da Bahia em janeiro, posto abaixo breve resumos de alguns filmes produzidos na Bahia que devem estrear ainda em 2010. Antes de qualquer análise, adianto que já é um ótimo cenário que se vislumbra no Estado, com a consolidação de uma filme commisson organizada, por exemplo, e outros fatores. Para os entusiastas do cinema nacional, como eu, só restam expectativas, e para os detratores, pelo menos dêem uma chance.


Faroeste Caboclo

Não é bem uma produção baiana, mas parte da história se passa no interior do Estado. A trama, como o nome entrega, é história de João de Santo Cristo, o personagem criado numa música por Renato Russo. O filme vai contar a saga do herói, desde o nascimento na Bahia até o duelo final com Jeremias, em Brasília. Tem apoio do Governo do Estado.

Capitães da Areia

Adaptação da clássica obra de Jorge Amado. O filme vai levar às telas a história de um grupo de meninos/moradores de rua que aterrorizavam Salvador, mas que não deixavam de ter sentimentos, como compaixão e amor. A produção já concluiu as gravações e já está em fase final. A direção fica a cargo da neta do escritor, Cecília Amado, com larga experiência em cinema (assistente de direção e afins), mas que estréia no comando de um longa. O filme utilizou atores não profissionais. O trailer já está disponível aqui.


Quincas Berro D´água


Talvez seja o filme com mais pompa e produção dessa nova safra. Traz o diretor Sergio Machado (do ótimo “Cidade Baixa”) e atores de alto nível, como Paulo José, Mariana Ximenes e Othon Bastos. É mais uma adaptação de obra de Jorge Amado.


Trampolim do Forte

Citando a revista Bravo!: “O trampolim do Forte de Santa Maria, em Salvador, é, há muitos anos, espaço de lazer para a garotada que freqüenta a praia do Porto da Barra. Entre eles estão dois garotos que fazem dos saltos diários no mar uma válvula de escape para a pesada rotina diária. O cenário faz parte das lembranças do diretor da nova geração de cinema baiano João Rodrigo Mattos, que mesclou criatividade e vivência para abordar a importância da infância”.


O Homem que Não Dormia

É o segundo longa metragem do diretor Edgar Navarro, que já levou às telas o aclamado “Superoutro” (média) e “Eu me Lembro” (esse eu vi e achei razoável). No novo filme, “tudo acontece em uma mesma noite, quando cinco pessoas de uma cidadezinha do interior são acometidas por um pesadelo envolvendo um homem sinistro e um tesouro enterrado. Com a chegada de um misterioso peregrino, o vilarejo é arrebatado da rotina medíocre e os personagens são lançados num vórtice de acontecimentos insólitos” (aqui).