Jack White em mais uma banda: The Dead Weather. Seria ele o artista da década?

Jack White é aquele tipo de artista/músico o qual a inquietação é o que lhe move. Avesso a grandes espetáculos, apresentações miraculosas e lançamentos grandiosos, White aposta sempre na força da sua própria música para levar à frente suas convicções artísticas. E é nesse sentido que ele lança agora uma nova banda, The Dead Weather, uma parceria com o guitarrista Dean Fertia (Queens Of The Stone Age), a cantora Alison Mosshart (The Kills) e o baixista Jack Lawerence (Raconteurs).
A tal inquietação criativa fez com que White passasse, em menos de 5 anos, por experiência em três bandas. De um início promissor e arrasador com sua White Stripes (ao lado da “irmã” Meg), o cantor e guitarrista resolveu experimentar novos ares e atacar com a Raconteurs, uma banda de voo curto, é verdade, mas que trouxe um som mais sujo e suingado ao indie mundial. Com a Dead Weather, o lance mudou um pouco de figura. O grupo é formado por outras cabeças pensantes do rock e a divisão criativa dentro da banda é visível, mas White mais uma vez resolveu inovar: no caminho inverso do “chapa” Dave Grohl, resolveu atacar agora de baterista.
E não é que ele tem talento? O caminho que Jack White percorreu nessa década só prova que, mesmo em momentos de lucratividade, excelência e reconhecimento, o que realmente interessa é a música. Seria muito mais fácil ancorar-se no sucesso, mas Jack conseguiu, nas mudanças de banda, mudar também um pouco seu perfil musical e ampliar seu “campo” de visão artística. Claro que – e isso é um elogio – o cara soube manter sua postura de independência e austeridade musical, muito difícil nesses tempos. Além disso, ainda foi reconhecido mundialmente como um dos melhores guitarristas de sua geração ao participar do documentário XXX ao lado de duas figuras “pouco conhecidas”: The Edge e Jimmy Page.

Mas, voltando à nova banda, o novo frescor musical de Jack tem muito da mão de Fertia e Alison, dois músicos importantes da geração indie 2000. O primeiro participou durante alguns álbuns do cultuado Queens Of The Stone Age e traz para o Dead Weather sua pegada rasgada e forte, mas agora de uma maneira mais crua. Já Alison dá o tom feminino em meio a tanta testosterona, sempre cantando de forma arrasadora. O Dead Weather, em seu disco de estreia “Horehound”, consegue conjugar muito bem o peso de bandas como QOTSA e Wolfmother e o balanço típico de bandas dos anos 70.
Ao ouvir o disco, é impossível não comparar ao Led Zeppelin; até a bateria de White em alguns momentos, como por exemplo em “New Pony” (que também emula o suingue de Janis Joplin e, na verdade, é um cover de Bob Dylan), lembra as melhores batidas de John Boham. Porém, essa referência faz parte de uma parede musical bem montada para que Fertia consiga destilar seus riffs de maneira clara e sem nunca exagerar demais nos maneirismos do instrumento. Em “Hang You From The Heavens”, a banda se aproxima mais do rock atual, com uma sujeira beirando rock de garagem, mas sem esquecer a influência setentista. “I Cut Like a Bufalo” é um bom exemplo do que a banda é capaz: com uma pegada que mistura reggae com funk, a batida tem uma levada gostosa e psicodélica, mostrando que o grupo todo tem uma coesão impressionante. E é assim também em um dos melhores momentos do disco, “Treat me Like Your Mother”, em que Alison solta a voz, rasga-se em gritos enquanto a banda desfila riffs e batidas que vão do mais sujo ao mais clássico do rock.
Dead Weather também caminha, em certos momentos, pelos mesmos caminhos do White Stripes ao atualizar o blues-rock clássico para a barulheira 00. São exemplos disso a agridoce “So Far From your Weapon” e “No Hassle Night”. Porém, há espaço ainda para uma balada blues bem característica, a quase sexual “Rocking Horse”, que poderia estar muito bem na metade dos filmes de Quentin Tarantino. E tem ainda espaço também para “Bone House”, um petardo com um riff digitalizado que se alinha a bandas como Yeah Yeah Yeahs ou Gossip.
O som geral da banda pode não parecer inovador – e não é -, mas é executado com extrema competência pelo quarteto. Mesmo gravado em apenas 3 semanas, Dead Weather mostra coesão, talento e precisão mais acentuados que muita banda velha por aí. E isso faz uma diferença tremenda.



“Zii & Zie” é um disco que aponta para um rumo interessante, muito longe dos ‘picolés de chuchu’ da música nacional, como Ana Carolina, Djavan, Jorge Vercilo e muitos outros. Esses três, membros de uma sociedade secreta que tem como objetivo matar a criatividade da música popular brasileira, devem se mirar no exemplo do velho Caê: com uma carreira já consolidada, o baiano teve culhão suficiente para abandonar uma zona de conforto e tentar levar à frente velhos conceitos musicais repaginados, assim como ele próprio já fez de maneira brilhante 40 anos atrás. É uma veia, uma característica importante do compositor baiano, de mudar e tentar dar novo fôlego à música feita no Brasil.

Em “No Line…” vemos uma banda que parece cansada de si própria, o que é evidenciado na pouca inventividade de um grande guitarrista, The Edge. Em “Moment Surrender” e “Unknown Caller”, Edge parece distante de Bono e do restante da banda, o que acaba por não criar uma dinâmica interessante. Assim é também em “Get On Your Boots On”, que parece ter um grande potencial de hit, mas esbarra num andamento quebrado demais e sem continuidade. Esse quadro muda um pouco em “Stand Up Comedy”, uma canção em que The Edge consegue criar um bom riff e a banda segura bem o restante da música, explodindo num grande refrão a lá U2, melódico e facilmente assobiável.
Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.













