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Textos com Etiquetas ‘Resenha de disco’

Jack White em mais uma banda: The Dead Weather. Seria ele o artista da década?

17, setembro, 2009 admin 3 comentários

Jack White é aquele tipo de artista/músico o qual a inquietação é o que lhe move. Avesso a grandes espetáculos, apresentações miraculosas e lançamentos grandiosos, White aposta sempre na força da sua própria música para levar à frente suas convicções artísticas. E é nesse sentido que ele lança agora uma nova banda, The Dead Weather, uma parceria com o guitarrista Dean Fertia (Queens Of The Stone Age), a cantora Alison Mosshart (The Kills) e o baixista Jack Lawerence (Raconteurs).

A tal inquietação criativa fez com que White passasse, em menos de 5 anos, por experiência em três bandas. De um início promissor e arrasador com sua White Stripes (ao lado da “irmã” Meg), o cantor e guitarrista resolveu experimentar novos ares e atacar com a Raconteurs, uma banda de voo curto, é verdade, mas que trouxe um som mais sujo e suingado ao indie mundial. Com a Dead Weather, o lance mudou um pouco de figura. O grupo é formado por outras cabeças pensantes do rock e a divisão criativa dentro da banda é visível, mas White mais uma vez resolveu inovar: no caminho inverso do “chapa” Dave Grohl, resolveu atacar agora de baterista.

E não é que ele tem talento? O caminho que Jack White percorreu nessa década só prova que, mesmo em momentos de lucratividade, excelência e reconhecimento, o que realmente interessa é a música. Seria muito mais fácil ancorar-se no sucesso, mas Jack conseguiu, nas mudanças de banda, mudar também um pouco seu perfil musical e ampliar seu “campo” de visão artística. Claro que – e isso é um elogio – o cara soube manter sua postura de independência e austeridade musical, muito difícil nesses tempos. Além disso, ainda foi reconhecido mundialmente como um dos melhores guitarristas de sua geração ao participar do documentário XXX ao lado de duas figuras “pouco conhecidas”: The Edge e Jimmy Page.

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Mas, voltando à nova banda, o novo frescor musical de Jack tem muito da mão de Fertia e Alison, dois músicos importantes da geração indie 2000. O primeiro participou durante alguns álbuns do cultuado Queens Of The Stone Age e traz para o Dead Weather sua pegada rasgada e forte, mas agora de uma maneira mais crua. Já Alison dá o tom feminino em meio a tanta testosterona, sempre cantando de forma arrasadora. O Dead Weather, em seu disco de estreia “Horehound”, consegue conjugar muito bem o peso de bandas como QOTSA e Wolfmother e o balanço típico de bandas dos anos 70.

Ao ouvir o disco, é impossível não comparar ao Led Zeppelin; até a bateria de White em alguns momentos, como por exemplo em “New Pony” (que também emula o suingue de Janis Joplin e, na verdade, é um cover de Bob Dylan), lembra as melhores batidas de John Boham. Porém, essa referência faz parte de uma parede musical bem montada para que Fertia consiga destilar seus riffs de maneira clara e sem nunca exagerar demais nos maneirismos do instrumento. Em “Hang You From The Heavens”, a banda se aproxima mais do rock atual, com uma sujeira beirando rock de garagem, mas sem esquecer a influência setentista. “I Cut Like a Bufalo” é um bom exemplo do que a banda é capaz: com uma pegada que mistura reggae com funk, a batida tem uma levada gostosa e psicodélica, mostrando que o grupo todo tem uma coesão impressionante. E é assim também em um dos melhores momentos do disco, “Treat me Like Your Mother”, em que Alison solta a voz, rasga-se em gritos enquanto a banda desfila riffs e batidas que vão do mais sujo ao mais clássico do rock.

Dead Weather também caminha, em certos momentos, pelos mesmos caminhos do White Stripes ao atualizar o blues-rock clássico para a barulheira 00. São exemplos disso a agridoce “So Far From your Weapon” e “No Hassle Night”. Porém, há espaço ainda para uma balada blues bem característica, a quase sexual “Rocking Horse”, que poderia estar muito bem na metade dos filmes de Quentin Tarantino. E tem ainda espaço também para “Bone House”, um petardo com um riff digitalizado que se alinha a bandas como Yeah Yeah Yeahs ou Gossip.

O som geral da banda pode não parecer inovador – e não é -, mas é executado com extrema competência pelo quarteto. Mesmo gravado em apenas 3 semanas, Dead Weather mostra coesão, talento e precisão mais acentuados que muita banda velha por aí. E isso faz uma diferença tremenda.

A nova música brasileira I – Móveis Coloniais de Acaju

8, maio, 2009 admin 9 comentários

A tarde caía e a noite vinha chegando devagar. No Pelourinho, em Salvador, uma rua perdida no sobe-desce do local estava lotada, com uma fila que corria de um lado a outro. Lá dentro, em alguns instantes Vanguart, a tão aclamada banda indie brasileira (tão 2007…), entraria no palco, para depois dar lugar ao Cascadura, a cultuada banda baiana. Ambas conseguiram… Opa, vamos pular tudo isso e chegar à verdadeira vedete da noite, que roubou todos os para eles, de uma maneira extremamente egoísta: Móveis Coloniais de Acaju.

A descrição acima poderia servir muito bem como um brevíssimo resumo do que ocorreu numa noite de sábado em novembro de 2008 em Salvador. As três bandas se reuniram para tocar para um público incrível, mas quem realmente conseguiu arrebatar a platéia de uma maneira de tirar o fôlego foi o Móveis. E é esse grupo que vem ganhando força no cenário nacional com uma mistura tipicamente brasileira, embora o som não tenha nada de samba nem banquinho e violão. O mega-grupo de Brasília acaba de lançar um CD (“C_mpl_te”) que vem apenas confirmar uma coisa: 2009 é deles.

Mais do que conseguir lançar um disco de inéditas com fôlego suficiente para agradar diversos tipos de público, é também arrebatar uma legião de fãs igualmente enorme. A catarse coletiva que presenciei ano passado em Salvador é “fichinha” perto dos vídeos que rolam no youtube das apresentações da banda. É comunhão. É festa. O mega-grupo, formado por nove músicos, mistura rock, pop, samba, ska e muita levada do leste europeu. Em “C_mpl_te”, os caras conseguem ampliar ainda mais esse caldeirão e ainda aprimorar o vocal, as letras e as melodias. É uma evolução natural, que nem sempre é levada à cabo por bandas iniciantes. Mas com o Móveis é diferente.

C_mpl_te - Móveis Coloniais de Acaju

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No atual cenário da música brasileira, como eu comentei aqui sobre Caetano Veloso, o Móveis desponta como uma esperança de mudança e evolução criativa da música feita no Brasil. A mistura, quase antropofágica à lá Tropicalismo, deixa o público louco de êxtase. No disco não é diferente. A sonoridade a todo momento lembra diversas bandas e diversos estilos, porém nunca se atrapalham entre si. A mistura é feita com cuidado, para que nada saia do lugar e fique perdido; nada é à toa. A produção de Carlos Miranda, o produtor-guru gaúcho, ajuda bastante nesse sentido, dando uma unidade coerente a todo o disco. As letras continuam transitando entre Roberto Carlos e Caetano Veloso – isto é, um vasto mundo de possibilidades. E é assim em “C_mpl_te”: a música começa e você sabe mais ou menos como vai terminar, mas jamais será capaz de adivinhar o que levará ao fim.

Com esse disco, o Móveis não fica sendo apenas figura decorativa no cenário musical brasileiro (foi mal, o trocadilho era inevitável), e sim passa a figurar junto com outras bandas com um belo cenário de futuro para a música brasileira. Se há tempos o rock nacional não dá as cartas/caras, é a vez de bandas que juntam elementos “aleatoriamente” e criam sons particulares, bastante elogiados e que conseguem arrebatar centenas de milhares de fãs. Assim é com o Móveis, assim é com o Macaco Bong, assim é com uma dezena de outras bandas.

Quer mais da nova música brasileira? Fique ligado que outros nomes vão pintar por aqui.

Caetano Veloso quer mudar a música brasileira… De novo?

6, maio, 2009 admin 8 comentários

Caetano e a banda Cê: futuro promissor

Caê é vanguarda e disso ninguém pode duvidar. É verdade também que há anos o baiano figura no ostracismo da música popular brasileira, lançando músicas sem relevância e/ou álbuns ao vivo, quase sempre com releituras requentadas de antigos sucessos.

Mas ele quer mudar, a si e a música brasileira. É por isso que ele lançou, há três anos, o elogiado “Cê” e em 2009 lança no mercado fonográfico brasileiro “Zii & Zie”, um disco simples e direto que reúne em ótimas músicas e pouca invencionice. Calma, Caê é um cara chato, e disso também ninguém duvida. Por esse motivo, alguns momentos do disco são meramente masturbação musical do compositor baiano, assim como ele fez em (quase) toda sua carreira. Mas não. Não é algo fora de moda. Caê está dando sinais de que novamente está na linha de frente das mudanças da música brasileira.

Começa pela banda. De forma enxuta, os músicos já o acompanham desde “Cê” (2006), que deu muito certo e foi mantido agora nesse novo trabalho. As novas canções são chamadas pelo próprio como “transambas”. Tá bom. Afora esse invencionismo desnecessário, os tais “transambas”dão o recado: sem os instrumentos usuais de samba (pandeiro, cavaquinho, tamborim, etc.), Caetano consegue fazer sambas de alta qualidade, aliando a ótima guitarra de Pedro Sá com os outros instrumentistas, Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo). Nas letras, Caetano continua ácido, sublime e atualizado. Revela um lado bastante pessoal de temas recorrentes na contemporaneidade, além de falar de amor, paixão e outros temas já comuns à sua carreira.

“Zii & Zie” é um disco que aponta para um rumo interessante, muito longe dos ‘picolés de chuchu’ da música nacional, como Ana Carolina, Djavan, Jorge Vercilo e muitos outros. Esses três, membros de uma sociedade secreta que tem como objetivo matar a criatividade da música popular brasileira, devem se mirar no exemplo do velho Caê: com uma carreira já consolidada, o baiano teve culhão suficiente para abandonar uma zona de conforto e tentar levar à frente velhos conceitos musicais repaginados, assim como ele próprio já fez de maneira brilhante 40 anos atrás. É uma veia, uma característica importante do compositor baiano, de mudar e tentar dar novo fôlego à música feita no Brasil.

O que é então essa nova fase de Caetano Veloso? É um passo importante para o futuro da música brasileira, que inclusive já vem sendo dado há anos por outros artistas, mas que ganha um reforço de peso. Nomes como Los Hermanos, Nação Zumbi, Céu, Lenine, Mombojó, Curumin e tantos outros já conseguem dar uma cara mais mudada à música brasileira. A relevância desses nomes não deve ser medida na vendagem de Cds (o que é isso mesmo?), mas sim no seu alcance. E Caetano, vanguardista que é, está nessa linha. Não vai fugir. Vai entrando de mansinho para, talvez, liderar esse grupo. Fôlego? De sobra!

Não deixe de ver – Caetano lançou seu CD num cenário inusitado. Durante quase um ano, ele compartilhou idéias, posts, comentários, letras e versões inéditas das músicas com os internautas através de seu blog, Obra em Progresso. Essa interação pode ser sentida nas canções do disco, que tem muito dessa relação mutante. “Zii & Zie” é resultado desse link, um bom norte para outras bandas e artistas seguirem também.

Resenha de Disco: Gomez – A New Tide

20, abril, 2009 admin 4 comentários

Gomez – A New Tide

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Gomez lançou seu primeiro disco em 98 e foi logo comparada aos grandes daquela década, ganhando o aclamado prêmio inglês Mercury Prize, batendo Massive Attack e The Verve. De lá pra cá, algumas mudanças na sonoridade da banda não tiraram a qualidade, porém deslocaram o Gomez para o lado indie da força da música britânica, relegando à obscuridade boas canções produzidas. Nesse novo álbum, o quinteto volta com um som mais encorpado e melodias fortes, mas sem perder a força do início da carreira.

O disco em questão é “A New Tide”, em que o Gomez apresenta 11 músicas que poderiam facilmente serem classificadas como indie pop. Como essas categorias são sempre falhas, não é raro perceber no álbum ora alguns toques de folk music e um pop ensolarado, ora um vigor mais rock n roll em seus riffs de guitarra. Essas características põem o Gomez no hall de bandas como Idlewild, Doves, Turin Brakes e até My Morning Jacket, embora aqui ou ali muita coisa seja diferente.

“A New Tide” já vem sendo ouvido em parte desde em fevereiro, quando a banda lançou na internet o rock de riff determinado “Airstream Driver”, que rodou a Europa e teve grande receptividade do público. Ela, aliás, é um oásis rock n roll do disco, que aposta em canções mais trabalhadas e melódicas, mas sem nunca perde a veia pop. Assim é na abertura, com “Mix”, de início quase acústico, mas que se funde ao power pop do meio para o fim. A seqüência vem mais ensolarada, com a boa e influenciada pelo folk/country “Little Pieces”, que ainda evolui para um indie pop mais concentrado em determinados momentos, e a mais fraca do disco, “If I Asked You Nicely”, que poderia muito bem estar inserida na trilha de algum Shrek (lembra muito as músicas do Smash Mouth para o filme).

A partir daí, “A New Tide” investe mais no folk acústico. “Lost Track” é calma e climática, com uma ótima finalização orquestrada e “Win Park Slope” é um exemplar do pop da banda, quase acústico, mas com elementos do power pop com refrão grandioso. Quando o disco está quase perdendo o ritmo e caindo devagar, a banda volta com o primeiro single já citado “Airstream Driver”, e volta às belas melodias pop, como “Natural Reaction”, uma música facilmente assobiável e que concentra boa levada de violão e um seqüência vocal admirável.

O Gomez não muda, e segue até o final no ritmo que alia pop com o aprofundamento melódico das grandes bandas.

Não deixe de ouvir: “Mix”, “Airstream Driver”, “Lost Track” e “Natural Reaction”.

Myspace do Gomez

Resenha de Disco: U2 – No Line On The Horizon

1, abril, 2009 admin 7 comentários

U2 – No Line On The Horizon

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Depois de um disco que não empolgou nem crítica nem público, o U2 volta com um trabalho novo depois de cinco anos. O disco em questão, “No Line On The Horizon”, produzido pelo velho conhecido Brian Eno em parceria com Daniel Lanois, não traz nenhuma grande novidade e parece, como muitas resenhas preconizaram por aí, fechar um ciclo que começou pelo “All That Can´t Leave Behind”, passou pelo “How To Dismantle An Atomic Bomb” e chega agora a um ponto que parece ser a encruzilhada para a banda.

Com esse novo lançamento, o U2 parece chegar a um beco sem saída. Aliás, esse deve ser o segundo ou terceiro momento em que a banda trilha esse caminho, sempre emendando discos bons e ruins a partir da década de 90. A irregularidade da banda segue também esse novo lançamento, uma vez que “No Line…” está longe dos grandes momentos voais de Bono e das belas melodias de The Edge. No entanto, o mundo não está perdido para os fãs do U2.

A música de abertura, homônima, e “Magnificent” conseguem trazer um bom balanço entre melodia e peso, típico da banda irlandesa. É mais um exemplar das boas canções do U2, porém a seqüência do álbum não consegue manter essa linha – o que traz bons momentos, e outros tantos pouco inspirados. O mais latente nesse álbum é que Bono não consegue criar um hit de grande envergadura, uma música capaz de emocionar uma velhinha de 80 anos ou fazer chorar uma adolescente de 15 anos. E esse talvez seja um dos grandes trunfos da carreira do U2, uma banda que consegue emocionar a todos e, além disso, criar outras tantas canções com diversos potenciais: comercial, emocional, rockeiro, meloso, etc.

Em “No Line…” vemos uma banda que parece cansada de si própria, o que é evidenciado na pouca inventividade de um grande guitarrista, The Edge. Em “Moment Surrender” e “Unknown Caller”, Edge parece distante de Bono e do restante da banda, o que acaba por não criar uma dinâmica interessante. Assim é também em “Get On Your Boots On”, que parece ter um grande potencial de hit, mas esbarra num andamento quebrado demais e sem continuidade. Esse quadro muda um pouco em “Stand Up Comedy”, uma canção em que The Edge consegue criar um bom riff e a banda segura bem o restante da música, explodindo num grande refrão a lá U2, melódico e facilmente assobiável.

Outras músicas, como “Fez – Being Born” e “White As Snow” apenas dão um ponta de saudade do velho U2, pois a cadência delas dá sono, além de não engatar em nenhum momento. O grande momento, porém, parece ser “Breath”, esse sim um hit à altura de outros tantos que a banda produziu em seus quase 30 anos de carreira. A música tem potência e pegada de rock, mas não deixa de mostrar nuances mais melódicas. A banda escolheu, no entanto, uma péssima música para encerrar o disco, a fraca “Cedars of Lebanon”, com melodia lenta e cansativa e uma letra dos momentos mais modorrentos da carreira da banda. O que virá agora?
Não deixe de ouvir: “No Line On The Horizon”, “Magnificent” e “Breath”.
Myspace do U2
Entrevista que Pitchfork fez com a banda