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… E o carnaval de Salvador, como vai!?

27, janeiro, 2010 admin 1 comentário

Para quem é de Salvador, o clima de carnaval já se instalou na cidade. Mas para quem é de fora, esse clima pode parecer estranho e muito distante – principalmente se você não curte axé music dos “ô ô a a a” ou os pagodes de duplo sentido. Mas repare bem. A onda está lá ainda, porém com muitos outros estilos acompanhando.

Já não é de hoje que o carnaval de Salvador, talvez o mais famoso do mundo, apresenta atrações alternativas. Não chega a ser uma mistura, porque realmente o axé music ainda é dominador. Mas vemos horizontes diferentes à nossa frente. Reggae, rock, eletrônica, pop e até forró também estão entrando na dança do carnaval, essa festa puramente hedonista que, convenhamos, combina bastante com os ritmos citados acima.

A celebração da carne, da sacanagem e do álcool tem em Salvador uma grande representante. O axé dominou bastante, mas dá lugar ao rock há algum tempo. Se formos pensar há 10 anos, era quase impossível esbarrar com alguma atração fora do eixo pagode-axé. Hoje, não. Nos circuitos, muitos trios elétricos apostam no rock, por exemplo. Há anos que o Cascadura desfila seu rock n roll de pegada forte pelas ruas da Barra e Ondina. E o Retrofoguetes também leva seu surf music insano aos ouvidos dos que gostam e dos que não gostam. E olha que o primeiro grupo cresce a cada ano. É comum ouvir por aí (twittadas, hoje em dia) gente já na ansiedade pelo trio de Rex, Morotó e CH.

Em 2010 a alternativa cresceu em tamanho. Governo do Estado investiu mais e vai colocar na rua mais trios com bandas de rock, reggae e ritmos variados. Além dos já citados, teremos Pitty, Nacy Viegas, Los Pupuñas (AC), Elza Soares, Lucas Santana e muito mais. Tudo bem dividido e definido e, principalmente, agora já desfilam em horários decentes. Fora esses patrocinados pelo Governo, outros independentes também saem.

Confira a programação completa.

Em novo disco, Pitty mergulha em suas próprias limitações

17, agosto, 2009 admin 25 comentários

Pitty – Chiaroscuro (2009)

nota04

Será que é tão difícil entender o sucesso da cantora Pitty? Mesmo com uma discografia extremamente irregular, com apenas um primeiro disco realmente relevante, ela continua na crista da onda do pop/rock nacional. E não será dessa vez, com o lançamento do seu novo disco, Chiaroscuro, que isso vai mudar.

Chiaroscuro (2009) é um trabalho que pouco se distancia dos demais discos da cantora baiana – que começou adolescente dando um toque feminino em meio à testosterona da cena rocker baiana, onde comandou a banda de Hardcore Inkoma -, embora a própria acredite no contrário. Mas não é. Até houve tentativas, porém, quase todas frustradas. O disco é, na verdade, a continuação “mais do mesmo” em que ela está presa: guitarras comandando o som, bateria no talo, riffs anos 90 e letras pré-adolescentes. Resta saber se é por pura incompetência (alguns vão preferir a palavra “limitação”) ou malandragem comercial. Eu fico com um misto dos dois.

Na música de abertura, “8 ou 80”, já temos um ótimo resumo de todo o disco: uma introdução mais leve e trabalhada, mas que se perde nos clichês da própria cantora quando essa entra cantando mais uma letra óbvia, típica de sua carreira. Quando o refrão chega e a guitarra sobe a toda altura (uma herança maldita do grunge), aí sim percebemos que é Pitty que está diante de nós. Já “Me Adora” é uma canção que consegue um pouco de destaque, tanto por sua veia pop, quanto por sua métrica meio disforme que dá um tom mais natural à música. Como eu já havia dito aqui, “Me Adora” é um híbrido de jovem guarda com a velha influência do rock dos anos 90 de Pitty, o que já é uma evolução e tanto.

O que parecia um bom galope, se perde miseravelmente em canções como “Medo”, que tem uma letra típica da geração que idolatra “Crepúsculo” e “Transformers” como a salvação para sua própria adolescência. Chega a ser constrangedor ouvir coisas do tipo: “Medo de ter, medo de perder / Cada um tem os seus / E todos tem alguns”. Nessa mesma linha “vergonha alheia” está “Desconstruindo Amélia”, que até tem uma levada interessante, com um baixo pulsante e rítmico, mas que se perde totalmente no resto do instrumental e numa letra redação-do-segundo-grau: “Hoje aos 30 é melhor que aos 18 / Nem Balzac poderia prever / Depois do lar, do trabalho e dos filhos / Ainda vai pra nigth ferver”. E tem mais: em “Fracasso”, quando você acha que a música vai engatar, ela se perde novamente nos seus próprios clichês musicais (sem contar a pérola filosófica “o êxito tem vários pais / órfão é o seu revés”), assim como em “Só Agora”, uma balada que pode até não comprometer (lembra a excelente “Inflatable”, do Bush), mas que também recai na mesmice do disco e até lembra “Equalize”.

As melhores canções ficaram mesmo para o final. “Trapézio” tem uma levada pop gostosa e consegue trazer uma Pitty mais sóbria, com a banda fazendo bem seu papel. Na seqüência, “Rato na Roda” explora um lado mais experimental, mesmo que em vários momentos Pitty cante remetendo a Paulo Miklos e seus gritos típicos das músicas dos Titãs anos 80. Situação diferente de “A Sombra”, uma balada climática e que emula de Radiohead a Stone Temple Pilots, claro, nos momentos mais sutis de ambas as bandas.

Essas três músicas são quase um oásis dentro de um disco repleto de repetições de si mesmo, retro-alimentação própria e um jogo de espelhos musicais quase interminável. A tal experimentação que Pitty tanto falou em entrevistas (e no próprio blog) falhou miseravelmente. Em “Água Contida”, por exemplo, a utilização de um acordeom e uma levada mais quebrada não configura o ritmo como tango, Pitty. É só um toque pra você entender, beleza?