… E o carnaval de Salvador, como vai!?
Para quem é de Salvador, o clima de carnaval já se instalou na cidade. Mas para quem é de fora, esse clima pode parecer estranho e muito distante – principalmente se você não curte axé music dos “ô ô a a a” ou os pagodes de duplo sentido. Mas repare bem. A onda está lá ainda, porém com muitos outros estilos acompanhando.
Já não é de hoje que o carnaval de Salvador, talvez o mais famoso do mundo, apresenta atrações alternativas. Não chega a ser uma mistura, porque realmente o axé music ainda é dominador. Mas vemos horizontes diferentes à nossa frente. Reggae, rock, eletrônica, pop e até forró também estão entrando na dança do carnaval, essa festa puramente hedonista que, convenhamos, combina bastante com os ritmos citados acima.
A celebração da carne, da sacanagem e do álcool tem em Salvador uma grande representante. O axé dominou bastante, mas dá lugar ao rock há algum tempo. Se formos pensar há 10 anos, era quase impossível esbarrar com alguma atração fora do eixo pagode-axé. Hoje, não. Nos circuitos, muitos trios elétricos apostam no rock, por exemplo. Há anos que o Cascadura desfila seu rock n roll de pegada forte pelas ruas da Barra e Ondina. E o Retrofoguetes também leva seu surf music insano aos ouvidos dos que gostam e dos que não gostam. E olha que o primeiro grupo cresce a cada ano. É comum ouvir por aí (twittadas, hoje em dia) gente já na ansiedade pelo trio de Rex, Morotó e CH.
Em 2010 a alternativa cresceu em tamanho. Governo do Estado investiu mais e vai colocar na rua mais trios com bandas de rock, reggae e ritmos variados. Além dos já citados, teremos Pitty, Nacy Viegas, Los Pupuñas (AC), Elza Soares, Lucas Santana e muito mais. Tudo bem dividido e definido e, principalmente, agora já desfilam em horários decentes. Fora esses patrocinados pelo Governo, outros independentes também saem.

O que parecia um bom galope, se perde miseravelmente em canções como “Medo”, que tem uma letra típica da geração que idolatra “Crepúsculo” e “Transformers” como a salvação para sua própria adolescência. Chega a ser constrangedor ouvir coisas do tipo: “Medo de ter, medo de perder / Cada um tem os seus / E todos tem alguns”. Nessa mesma linha “vergonha alheia” está “Desconstruindo Amélia”, que até tem uma levada interessante, com um baixo pulsante e rítmico, mas que se perde totalmente no resto do instrumental e numa letra redação-do-segundo-grau: “Hoje aos 30 é melhor que aos 18 / Nem Balzac poderia prever / Depois do lar, do trabalho e dos filhos / Ainda vai pra nigth ferver”. E tem mais: em “Fracasso”, quando você acha que a música vai engatar, ela se perde novamente nos seus próprios clichês musicais (sem contar a pérola filosófica “o êxito tem vários pais / órfão é o seu revés”), assim como em “Só Agora”, uma balada que pode até não comprometer (lembra a excelente “Inflatable”, do Bush), mas que também recai na mesmice do disco e até lembra “Equalize”.
Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.













