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Arcade Fire lança show e disco novo

6, agosto, 2010 admin 2 comentários
O Arcade Fire, uma das bandas mais sensacionais dos últimos tempos, lançou novo disco tem cerca de três semanas, mas o burburinho pop já vem de muitos meses antes. Ontem, para aumentar ainda mais o hype da banda, eles fizeram o show de lançamento da turnê e disco, um espetáculo grandioso na música e simples na sua concepção geral.
Tudo transmitido via youtube, ao vivo, desde o pré-show, com bastidores e tudo. O show, aliás, foi dirigido pelo elogiadíssimo Terry Gilliam (”O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”) e teve momentos memoráveis, assim como o disco novo, “The Suburbs”.
“The Suburbs” é tão intenso quanto os outros discos da banda, porém é diferente. Há um certo tom David Bowie ‘Berlim times’, da época em que o cameleão morou em Berlim, no final dos anos 70 e começo dos anos 80. A áurea do Arcade Fire já tinha muito de Bowie, mas aqui ganha novos traços. Tem também um “quê” de U2 do início, isto é, mais Brian Eno (o produtor trabalhou com U2 e Bowie).
As múdias continuam belas, líricas e intensas. A big band do indie mantém sua força, suas melodias marcantes, suas camadas sonoras climáticas e seu apelo pop, apesar disso tudo.

O Arcade Fire, uma das bandas mais sensacionais dos últimos tempos, lançou novo disco tem cerca de três semanas, mas o burburinho pop já vem de muitos meses antes. Ontem, para aumentar ainda mais o hype da banda, eles fizeram o show de lançamento da turnê e disco, um espetáculo grandioso na música e simples na sua concepção geral. Tudo transmitido via youtube, ao vivo, desde o pré-show, com bastidores e tudo. O show, aliás, foi dirigido pelo elogiadíssimo Terry Gilliam (”O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”) e teve momentos memoráveis, assim como o disco novo, “The Suburbs”.

“The Suburbs” é tão intenso quanto os outros discos da banda, porém é diferente. Há um certo tom David Bowie ‘Berlim times’, da época em que o cameleão morou em Berlim, no final dos anos 70 e começo dos anos 80. A áurea do Arcade Fire já tinha muito de Bowie, mas aqui ganha novos traços. Tem também um “quê” de U2 do início, isto é, mais Brian Eno (o produtor trabalhou com U2 e Bowie). As músicas continuam belas, líricas e intensas. A big band do indie mantém sua força, suas melodias marcantes, suas camadas sonoras climáticas e seu tom pop.

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Em Salvador, Caetano faz show mais carioca e indie do que nunca

8, junho, 2009 admin 7 comentários


Caetano é hype. Isso é fato. Os profetas do apocalipse hype brasileiro já preparam suas pedras e tomates, mas não é bem assim. Nem todo hype é indesejável. Caê é um bom exemplo disso. Já disse aqui: ele quer mudar a música brasileira. Pode parecer pretensioso, mas… Bem, é pretensioso mesmo. Ele sempre foi assim. Mas agora ele ataca de indie – desde a roupa até a formação da banda – e de carioca.

Foi dessa forma que Caetano Veloso entrou no palco no último dia 5 de junho, em Salvador. Não sem antes esperar calmamente sua mãe, a centenária Dona Canô, se acomodar vagarosamente na lateral do palco para acompanhar o show do filho. Caê entra feliz e saltitante, mostrando-se claramente à vontade no palco – Concha Acústica do Teatro Castro Alves, local de saudosas lembranças para ele e para toda uma geração que viu ali o auge do cantor baiano. A banda Cê, competentíssima, é um espelho comportamental fiel ao Los Hermanos: quietos, tímidos e concentrados, pouco se locomovem e a empolgação só está nos olhos de quem vê Caetano, esse sim o real dono da festa. Concha lotada para ver ele, é claro, mas também para ter uma idéia de que banda era aquela, que formação inusitada era aquela que vinha agradando fãs e crítica ao longo de três anos. Era quase o Los Hermanos – porém muito melhor.

Caetano está apostando, de maneira correta diga-se de passagem, nas novas músicas. No entanto, não é com elas que ele abre o show. O público é brindado, meio que de surpresa, por um pout-pourri inusitado, bem típico do artista que resolve resgatar antigos ídolos e enaltecer o extremo popular. E assim ele fez, ao emendar numa mesma canção três “pérolas” do pagodão baiano com uma canção singela e mordaz de Paulinho da Viola (Caê tem suas esquisitices e dessa vez ele cismou que tem que homenagear Paulinho. Deixa o homem). Passando a surpresa inicial, ele segue com suas novas músicas – e é justamente aí que mora o perigo dessa nova turnê. Vou voltar ao pré-show para explicar melhor.

Eram 18h30 quando cheguei na porta da Concha. Show marcado para 19h (sem banda de abertura), fiquei a apreciar o movimento tomando a tradicional Skol. Para minha total surpresa, o público que ia chegando era 70% de tiozões e tiazonas, todos desconfortavelmente adentrando um local diferente ao que costumam freqüentar. Os outros 28% eram formados por jovens da idade da banda Cê e o restante circula pelos indie(otas) de plantão e alguns anônimos perdidos. Com essa platéia, fiquei curioso para ver a reação deles ao ouvirem “Menina da Ria”, “A Cor Amarela” ou “Lapa” (para não citar todas do “Zii & Zie”), canções que fogem completamente do status quo caetnesco que eles estão acostumados. O problema, então, estava criado. Na verdade, é mais um impasse estético e informacional. Acostumados às novas tecnologias, os jovens conseguem ter acesso mais rapidamente ao material novo do artista. Os tiozões e tiazonas não. E aí como acompanhar um show em que não se conhece 80% do repertório?

Dispersão. Foi isso que aconteceu, portanto. Em grande parte do espetáculo o público permaneceu sentado e disperso. Era um tal de levanta, conversa com o amigo ao lado, fala ao celular… E Caetano destilando seus novos sons. Vieram “Sem Cais”, “Por Quem”, “Lobão Tem Razão” e “Base de Guatánamo”. O público só se agitou de verdade quando Caê resolveu emendar duas pérolas do passado: “Maria Betânia” e “Irene”, curiosamente as duas em homenagem às irmãs do cantor. “A Cor Amarela” também chegou a levantar o público, mais pelo ritmo acelerado. Ninguém sabia cantar as letras do novo disco.

Há uma situação curiosa também. Em diversos momentos do show, Caetano pareceu muito mais carioca do que baiano – o que, se formos analisar bem, é coerente com as décadas em que o artista viveu mais lá do que cá. Mas será que o público estava esperando isso? Caetano era um carioca na sua estética corporal e física, além de se apresentar frente a um cenário carioca da gema: imagens do Rio no telão e uma enorme asa delta cobrindo o batera Marcelo Callado. Só faltou as pedras portuguesas em formato de ondas do calçadão do Leblon. Fora que o som indie, que agora Caetano se imerge completamente, remete muito a sons cariocas, como o já citado Los Hermanos, Do Amor e Rômulo Froes, dentre outros.

O público, meio perdido, lavou a alma mesmo em “Eu Sou Neguinha?”, momento de soltar a franga para os gays e lésbicas do local, ou seja, 40% do público. E teve também a já clássica “Força Estranha”, a típica última música “pra galera”, executada para que o público saia do show com uma ótima última impressão. E assim foi. Os garotos de 18 anos cantaram, os de 30 aplaudiram e os de 50 foram à loucura. E Caê abraçou a Bahia.

fotos: Fernado Amorim (A Tarde)

A nova música brasileira I – Móveis Coloniais de Acaju

8, maio, 2009 admin 9 comentários

A tarde caía e a noite vinha chegando devagar. No Pelourinho, em Salvador, uma rua perdida no sobe-desce do local estava lotada, com uma fila que corria de um lado a outro. Lá dentro, em alguns instantes Vanguart, a tão aclamada banda indie brasileira (tão 2007…), entraria no palco, para depois dar lugar ao Cascadura, a cultuada banda baiana. Ambas conseguiram… Opa, vamos pular tudo isso e chegar à verdadeira vedete da noite, que roubou todos os para eles, de uma maneira extremamente egoísta: Móveis Coloniais de Acaju.

A descrição acima poderia servir muito bem como um brevíssimo resumo do que ocorreu numa noite de sábado em novembro de 2008 em Salvador. As três bandas se reuniram para tocar para um público incrível, mas quem realmente conseguiu arrebatar a platéia de uma maneira de tirar o fôlego foi o Móveis. E é esse grupo que vem ganhando força no cenário nacional com uma mistura tipicamente brasileira, embora o som não tenha nada de samba nem banquinho e violão. O mega-grupo de Brasília acaba de lançar um CD (“C_mpl_te”) que vem apenas confirmar uma coisa: 2009 é deles.

Mais do que conseguir lançar um disco de inéditas com fôlego suficiente para agradar diversos tipos de público, é também arrebatar uma legião de fãs igualmente enorme. A catarse coletiva que presenciei ano passado em Salvador é “fichinha” perto dos vídeos que rolam no youtube das apresentações da banda. É comunhão. É festa. O mega-grupo, formado por nove músicos, mistura rock, pop, samba, ska e muita levada do leste europeu. Em “C_mpl_te”, os caras conseguem ampliar ainda mais esse caldeirão e ainda aprimorar o vocal, as letras e as melodias. É uma evolução natural, que nem sempre é levada à cabo por bandas iniciantes. Mas com o Móveis é diferente.

C_mpl_te - Móveis Coloniais de Acaju

Clique na imagem para baixar gratuitamente

nota091

No atual cenário da música brasileira, como eu comentei aqui sobre Caetano Veloso, o Móveis desponta como uma esperança de mudança e evolução criativa da música feita no Brasil. A mistura, quase antropofágica à lá Tropicalismo, deixa o público louco de êxtase. No disco não é diferente. A sonoridade a todo momento lembra diversas bandas e diversos estilos, porém nunca se atrapalham entre si. A mistura é feita com cuidado, para que nada saia do lugar e fique perdido; nada é à toa. A produção de Carlos Miranda, o produtor-guru gaúcho, ajuda bastante nesse sentido, dando uma unidade coerente a todo o disco. As letras continuam transitando entre Roberto Carlos e Caetano Veloso – isto é, um vasto mundo de possibilidades. E é assim em “C_mpl_te”: a música começa e você sabe mais ou menos como vai terminar, mas jamais será capaz de adivinhar o que levará ao fim.

Com esse disco, o Móveis não fica sendo apenas figura decorativa no cenário musical brasileiro (foi mal, o trocadilho era inevitável), e sim passa a figurar junto com outras bandas com um belo cenário de futuro para a música brasileira. Se há tempos o rock nacional não dá as cartas/caras, é a vez de bandas que juntam elementos “aleatoriamente” e criam sons particulares, bastante elogiados e que conseguem arrebatar centenas de milhares de fãs. Assim é com o Móveis, assim é com o Macaco Bong, assim é com uma dezena de outras bandas.

Quer mais da nova música brasileira? Fique ligado que outros nomes vão pintar por aqui.

Marianne Faithfull fará shows no Brasil

29, abril, 2009 admin 2 comentários

Pouco conhecida do público brasileiro, Marianne Faithfull é um figura de importância única no rock dos anos 60. Sem ela, talvez metade das grandes músicas sobre sexo e amor do Rolling Stones não tivesse sido composta, já que sua beleza lânguida passou nas mãos de todos os integrantes da banda, além de outros artistas da época. Já foi chamada de tudo, até de groupie, mas a verdade é que Faithfull também tem sua importância musical.

A artista vem ao Brasil mostrar esses e outros atributos, numa série de shows que vai levar ao público antigos sucessos e algumas músicas novas do seu novo disco, “Easy Come, Easy Go”. A cantora, hoje com 63 anos, é responsável, por exemplo, pelas primeiras interpretações do que viria a ser dois grandes clássicos do Rolling Stones: “As Tear Goes By” e “Sister Morphine”. Com mais de 20 discos lançados em todo o mundo, sua voz, sempre rouca e sexy, é acompanhada por uma sonoridade que mistura jazz, blues, rock e muita volúpia. No novo disco, essa mistura é ainda mais latente, com canções bem estruturadas e uma produção de primeira, incluindo parcerias com Nick Cave e Rufus Waiwright. Até a Salvador ela vem, com data marcada para subir ao palco do tradicional Teatro Castro Alves em agosto.

E ela não é só cantora. Atriz de razoável sucesso no cinema britânico, Faithfull recentemente participou de dois grandes filmes: uma participação em Maria Antonieta (de Sofia Copola) e uma invejável interpretação em Irina Palm, longa que lhe deu sobrevida após luta contra um câncer.

Dá pra aquecer pro show ouvindo algumas músicas no site oficial da cantora. Para baixar o disco novo, dá uma googlada que é fácil achar.

Radiohead e o orgasmo nerd

23, março, 2009 admin 11 comentários
foto: Rodrigo Carreiro

foto: Rodrigo Carreiro

Se alguma pessoa esteve presente no último domingo à Chácara do Jockey, em São Paulo, com outro intuito a não ser ter um orgasmo nerd, confesso que não vi. Num palco que apresentou Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead, a impressão que ficou é que marmanjos e “marmanjas” adentraram o aprazível local do show com o único e exclusivo objetivo de entrar numa catarse. Alguém duvida?

Radiohead talvez seja (para quem saiu do show nem incluiria esse “talvez”, mas…) a maior banda dos últimos 15 anos. O show foi um fenômeno. Aliás, para quem é nerd de verdade, isso não foi nenhuma novidade – centenas de blogs já estampavam posts, fotos e vídeos do show do Rio, na sexta, horas depois de encerrado. Mas nada como presenciar a comunhão de rock com eletrônica, jazz, trilhas de filmes espaciais e uma infinidade de conjecturações sobre o mesmo tema. Radiohead é incrível, e ao vivo essa máxima se amplia uma centena de vezes (no mínimo).

Tecnicamente os caras são irretocáveis. Apoiados por um sistema de luz de deixar qualquer um boquiaberto, a banda desliza pelo palco com uma incrível capacidade de interagir com o público ao mesmo tempo em que toca com extrema concentração. Tudo bem que o jogo já começa com o placar ganho, que os fãs esperavam por isso há muito tempo (uma garota ao meu lado não parava de chorar), mas o resultado é inesperado. As luzes dão um tom surreal à experiência que, aliado ao som limpo e digno de grandiosos teatros, leva os espectadores para fora do local do show. Cada música leva ao fã uma experiência estética nova, casando luzes espaciais, efeitos certeiros e a boa e velha competência da banda.

Banda essa que não despreza seus fãs, que são nerds. E nerd que é nerd sabe quais músicas eles vão tocar, na ordem em que vão aparecer. Alguém liga? Até que sim, tanto é que eles mudaram o repertório com relação à apresentação no Rio, dois dias antes. Agradou muito ao público que, ao final das mais de 2h de show, ficou ainda esperando um quarto bis (!), o que seria um recorde. Mas para quê? A comunidade nerd do Brasil agradece e já monta campanha para uma próxima oportunidade. Será?

Set list completo do Radiohead.

Kraftwerk – Os alemães do Kraftwerk formam uma “banda” estranha. Munidos apenas de notebooks, os caras estão mais para DJs escondidos de uma boate obscura de Berlim do que astros do rock tocando para 30 mil pessoas. Mas deu certo, pelo menos em alguns momentos. Se o local não foi o ideal, o som era muito bom. Donos de músicas retrô ao mesmo tempo em que são futuristas, o Kraftwerk entreteu a platéia no tempo certo – apenas 1h. E o show foi honestíssimo, com todas as músicas conhecidas e uma boa estrutura de palco (o telão exibia imagens bem sacadas e que casavam perfeitamente com o som que os caras tiravam de seus equipamentos hi-tech). Destaque para o momento robô, numa encenação belíssima de robôs “tocando” as músicas no lugar dos próprios integrantes.

foto: Rodrigo Carreiro

foto: Rodrigo Carreiro

Los Hermanos – A banda entrou tímida, mas qual é a novidade? Meio perdidos no início, os caras só se soltaram em alguns momentos do show. Como o som não estava alto, parte da platéia de dispersava fácil, claro, afora os fanáticos Los Hermaníacos que cantavam as músicas em uníssono. Numa avaliação posterior, as músicas do “Bloco do Eu Sozinho” (2001) funcionaram melhor. As canções do “4” (2005, último trabalho da banda) fizeram algumas pessoas perguntarem: “que p**** é essa?”. No caldo final, ficou a sensação de que seria melhor eles terem tocado num show exclusivo, que também levaria muita gente para vê-los.

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